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- Colonoscopia - O que é - Como Preparar para o Exame - Alimentação
Acrónimos IRC = Insuficiência Renal Crónica O que é uma colonoscopia e para que serve A colonoscopia é um exame que usa um colonoscópio flexível para examinar o cólon (também chamado, intestino grosso), que é introduzido pelo reto podendo ir até ao íleo (parte terminal do intestino delgado). Permite examinar a existência de anomalias do reto, cólon e íleo terminal. Durante o exame dá-se insuflação de ar no cólon que permite uma melhor visualização pelo examinador, e podem ser retiradas amostras da mucosa para análises posteriores laboratoriais mais detalhadas. A colonoscopia é o exame preferencial (gold-standard) para avaliar a mucosa do cólon, colites/inflamação, pólipos, cancros e outras anomalias. Este exame pode ser prescrito com o objetivo de avaliar a saúde gastrointestinal, pesquisar algum problema que possa estar a causar sintomas - como por exemplo sintomas de dor, perdas de sangue gastrointestinais, diarreias, e outros - ou para confirmar/descartar alguma suspeita médica. A prescrição deste exame é também feita profilaticamente (com objetivo de rastreio) a todos os indivíduos sem problemas gastrointestinais a partir dos 50 anos de idade, com uma periodicidade de 5 em 5 anos ou inferior se necessário. Dependendo do caso e da decisão médica, pode ser ou não ser necessário o uso de anestesia ou sedação. O exame pode durar entre 30 a 60 minutos. Regra geral a colonoscopia é um procedimento seguro (cerca de 2 a 3 complicações por cada 1000 examinações), com recuperação total após máximo de um dia. No entanto não é possível descartar completamente a possibilidade de complicações como desconforto, dor, hemorragia, perfuração, infeção, complicações cardio-pulmunares. Exemplo de um resultado de um exame de colonoscopia : Preparação para o Exame da Colonoscopia - Alimentação e Medicação A qualidade da examinação vai depender da qualidade da preparação para exame de forma a permitir a observação colonoscópica o mais desimpedida e transparente possível das estruturas do cólon. Basicamente, é necessário um intestino o mais limpo e vazio possível para a melhor observação médica. Ainda assim cerca de 25% das preparações são sub-ótimas. Isso implica não só menor qualidade da examinação (que inclui menor eficácia na deteção de eventuais problemas) como também: maior tempo de examinação; maior risco de eventos adversos (como por exemplo ferimento e hemorragia); e maior probabilidade de desconforto e náuseas intra-examinação. Existem contra-indicações para exame de colonoscopia: - ileus (intestino a-peristáltico; retenção gástrica significativa; disfagia de líquidos; inflamação/colite severa; obstrução mecânica do cólon. No que toca a Medicação, poderá haver necessidade de ajustar temporariamente a medicação relativa (se for o caso) à diabetes, à anticoagulação e ferro oral. Poderá ser necessário diminuir dose de insulina proporcionalmente à menor ingestão calórico-glicémica; assim como redução temporária na terapia de anticoagulação com objetivo profilático. Estas medicações incluem: insulina, varfine®, sintron®, pradaxa®, clopidogrel®, plavix®, ticlopidina®, plaquetal®, tiklid®, ticlodix®, entre outros. No que toca à Alimentação haverá necessidade de uma preparação atempada, geralmente vários / 2 dias antes do exame, geralmente exigindo redução progressiva da ingestão de alimentos sólidos, restrição de fibras alimentares (hortícolas, frutas, cascas, sementes, frutos secos, cereais integrais, etc) e aumento da ingestão de líquidos, concomitante com toma de medicação laxante. Os protocolos de preparação para o exame da colonoscopia seguem geralmente regras muito semelhantes, podendo variar em alguns pormenores consoante a instituição onde se vai fazer o exame e consoante o objetivo específico do exame. Estas instruções e pormenores são sempre explicados atempadamente ao paciente pela instituição que irá fazer o exame. NO QUE TOCA À ALIMENTAÇÃO, REGRA GERAL OS PROTOCOLOS SEGUEM O SEGUINTE PLANO : - começando 5 dias antes do exame deve fazer uma dieta pobre em fibras (indigeríveis) e resíduos. Ou seja, pobre em: sementes, frutos secos, vegetais/hortícolas, leguminosas (feijões, ervilhas, etc), cereais integrais, farelos, frutas; pode consumir líquidos, sopas claras, carnes e peixes cozidos ou grelhados, pão simples, queijo fresco, claras de ovo, iogurte, gelatina. - se tiver história de obstipação, 2 dias antes do exame, deve tomar um laxante (ex: bisacodilo/Dulcolax®). - tomar o preparado de limpeza intestinal (exs: macrogol, Dulcosoft®, Movicol®, outros). Este é normalmente dividido em 2 doses, que poderão (conforme a instrução médica) ser tomar no próprio dia do exame separadas algumas horas entre si, ou tomado 1 dose na véspera e outra no dia do exame. - a partir do momento que inicia a toma do preparado de limpeza intestinal, não deverá consumir mais alimentos sólidos. Apenas líquidos. Pode consumir líquidos claros (chás claros, águas, tisanas, limonadas coadas, sumos sem polpa [não aconselhado ao insuficiente renal consumir sumos], canja, caldos claros e sem resíduos ou cores fortes, gelatina clara). Café é desaconselhado. - 2 horas antes do exame deve fazer jejum completo de líquidos (pode tomar pequenos goles para tomar alguma medicação de rotina) Se for diabético, deve ter um controlo mais apertado nestas horas e corrigir eventuais hipoglicemias com açúcar e água. - Em contexto de Insuficiência Renal, deverá ter-se em atenção a não ingerir líquidos em demasia (por vezes são indicados nas instruções destes protocolos de preparação/esvaziamento gástrico a ingestão de volumes hídrico muito elevados, na ordem dos 4 litros), sumos, suplementos ervanários, ou outros. Regra geral deve-se ter atenção aos seguintes pormenores: . devem ser reduzidos em 50% os volumes de líquido indicados, e . deve-se optar por laxantes e preparados de limpeza intestinal reduzidos em potássio e fósforo. - Nota important-ó-improvável : É possível incorrer no erro de ser "disciplinado" demais, ingerindo água a menos, podendo aumentar o risco de desidratação e coágulo/trombose da fístula. (Mais uma vez) aqui, a balança de casa-de-banho é uma boa ferramenta de controlo e gestão do peso corporal e estado de hidratação. - Se tiver alguma dúvida confirme sempre com a equipa CentroDial Anexos úteis: Exemplos de Preparados de Limpeza Intestinal e Laxantes para Colonoscopia: Movicol® - 13,8 g de Movicol contém: Macrogol 3350 13,125 g, Cloreto de sódio 0,3507 g, Bicarbonato de sódio 0,1785 g, Cloreto de potássio 0,0466 g. DulcoSoft® - 10 ml de solução contém 5 gramas de Macrogol 4000. Ingredientes por 100g: água (51,65g/100g), sorbato de potássio (conservante; 0,2g/100g), macrogol 4000 (45,75g/100g), macrogol 400 (0,2g/100g), ácido cítrico. Citra-Fleet® - Cada saqueta (15.08 g) contém as seguintes substâncias ativas: Picossulfato de sódio 10.0 mg, Óxido de magnésio leve 3.5 g, Ácido cítrico anidro 10.97 g. Cada saqueta também contém 5 mmol (ou 195 mg) de potássio. PLENVU® - macrogol 3350, ascorbato de sódio, sulfato de sódio anidro, ácido ascórbico, cloreto de sódio e cloreto de potássio. [PEG-ELS] - Este medicamento contém 29,4 mmol (1,1 g/2) de potássio por ciclo de tratamento; Este medicamento contém 458,5 mmol (10,5 g) de sódio por ciclo de tratamento. - (FI) https://medikamio.com/downloads/pt-pt/drugs/plenvu.pdf - Plenvu contém 458,5 mmol (10,5 g) de sódio por ciclo de tratamento. Isto deve ser tido em consideração no caso dos doentes a fazer uma dieta com controlo de sódio. - Plenvu contém 29,4 mmol (1,1 g) de potássio por ciclo de tratamento. A ser tido em consideração por doentes com função renal diminuída ou doentes a fazer uma dieta com controlo de potássio. Klean-Prep® - As substâncias ativas são: sulfato de sódio anidro, bicarbonato de sódio, cloreto de sódio, macrogol 3350 e cloreto de potássio. Cada saqueta contém 5685 mg de sulfato de sódio anidro, 1685 mg de bicarbonato de sódio, 1465 mg de cloreto de sódio, 59000 mg de macrogol 3350 e 742,5 mg de cloreto de potássio. - posologia: "4 saquetas (70g cada); dissolver 1 saqueta por 1L de água; tomar no dia ou dividido em 2 dias". - Contém 125,2 mmol (2879,51 mg) de sódio por saqueta (sob a forma de bicarbonato de sódio, cloreto de sódio e sulfato de sódio anidro). Esta informação deve ser tida em consideração em doentes com ingestão controlada de sódio. - Contém 9,96 mmol (388,43 mg) de potássio por saqueta (sob a formade cloreto de potássio). Esta informação deve ser tida em consideração em doentes com função renal diminuída ou em doentes com ingestão controlada de potássio. - "Insuficientes renais: Não é necessário qualquer ajuste da dose recomendada, nos doentes com insuficiência renal" Movi-Prep® - Saqueta A: Macrogol (também conhecido como polietilenoglicol) 3350 100 g, Sulfato de sódio anidro 7,500 g, Cloreto de sódio 2,691 g, Cloreto de potássio 1,015 g. As substâncias ativas da saqueta B são: Ácido ascórbico 4,700 g, Ascorbato de sódio 5,900 g. [PEG-ELS] - (FI) https://medikamio.com/downloads/pt-pt/drugs/moviprep.pdf EndoFalk® - Este medicamento contém 32,5 mmol (ou 747 mg) de sódio em cada saqueta; 2,5 mmol (ou 97,5 mg) de potássio por saqueta. - Cada saqueta de Endofalk contém as seguintes substâncias ativas: Macrogol 3350 52,500 g, Cloreto de sódio 1,400 g, Bicarbonato de sódio 0,715 g, Cloreto de potássio 0,185 g - (FI) https://medikamio.com/downloads/pt-pt/drugs/endofalk.pdf PicoPrep® - As substâncias ativas de 1 saqueta são 10 mg de picossulfato de sódio, 3,5 g de magnésio, óxido leve e 12 g de ácido cítrico anidro. - Cada saqueta contém 5 mmol (ou 195 mg) de potássio -Os outros componentes são bicarbonato de potássio, sacarina sódica e aroma natural de laranja pulverizado que inclui goma acácia, lactose, ácido ascórbico, butilhidroxianisol. - (FI) https://medikamio.com/downloads/pt-pt/drugs/picoprep.pdf GuttaLax® - A substância ativa é o picossulfato de sódio mono-hidratado. Os outros componentes são citrato de sódio di-hidratado, ácido cítrico mono-hidratado, benzoato de sódio, solução de sorbitol 70% e água purificada. - (FI) https://farmaciagualtar.pt/wp-content/uploads/Infarmed/8256727.pdf DulcoLax® - A substância ativa é o bisacodilo. Os outros componentes são lactose mono-hidratada, amido de milho seco, amido de milho solúvel, glicerina (85%), estearato de magnésio, talco, sacarose, goma arábica, dióxido de titânio (E171), Eudragit L., Eudragit S., óleo de castor, polietilenoglicol 6000, cera branca de abelhas, cera de carnaúba, Óxido de ferro amarelo nº 17268 (E172) e Shellac. - (FI) https://farmaciagualtar.pt/wp-content/uploads/Infarmed/9904805.pdf Clyss-Go® - Dioctilsulfosuccinato/Docusato de Sódio (0,01 g / frasco) + Sorbitol (13,40 g / frasco). - "Docusate is an emollient stool softener (surfactant laxatives). By lowering the surface tension of the oil-water interface of the stool, it allows the passage of water and lipids into the stool mass. As a result, the stool softens and passes easily through the intestinal tract.[6]" MicroLax® - Citrato de sódio 450 mg/270 mg + Laurilsulfoacetato de sódio 45 mg/27 mg - MICROLAX evacua o reto e o cólon através dum processo de peptização das matérias fecais. Este mecanismo consiste essencialmente num fenómeno físico-químico em que há libertação da água presente, mesmo nas fezes mais duras e consequente liquefacção das mesmas. Este fenómeno a nível molecular causa um amolecimento das fezes proporcionando uma defecação s - (FI) https://extranet.infarmed.pt/INFOMED-fo/detalhes-medicamento.xhtml [PEG-ELS] = Polyethylene glycol-electrolyte lavage solution Refs: - Harrison's PIM 21st Ed 2022 (ch. Disorders of the Gastrointestinal System) - UpToDate: Overview of colonoscopy in adults - UpToDate: Bowel preparation before colonoscopy in adults - Bowel preparation for colonoscopy: European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) Guideline – Update 2019 (DOI https://doi.org/10.1055/a-0959-0505) - https://ukkidney.org/sites/renal.org/files/Consensus_guidelines_for_the_prescription_and_administration_of_oral_bowel_cleansing_agents_January_2011-1.pdf
- Bio Impedância - O Que É - Para Que Serve - Como Funciona
Porque se chama "BIA" à Avaliação de Bio-Impedância ? "BIA" é simplesmente o acrónimo para o termo em inglês "Bio-Impedance Analysis", que em português significa "Análise de Bio-Impedância". O Que é ? E Qual é a Utilidade da Bio-Impedância ? Este dispositivo (e existem vários tipos) tem a função de avaliar a composição corporal do paciente, isto é, a composição dos tecidos que compões o corpo e a composição dos líquidos que constituem o corpo. Especificamente permite obter informação do estado de hidratação (hipo- ou hiper-hidratação) e dessa forma auxiliar nos ajustes do peso seco, respetivamente para cima ou para baixo, resultando consequentemente em ultra-filtrações melhor ajustadas e mais precisas. Esta avaliação deve fazer parte da avaliação médica global e não deve ser utilizada como informação peremptória no ajuste do peso seco. Esta decisão médica tem em conta não só a bio-impedância como também o perfil de tensões arteriais e toda a história clínica do paciente. Como Funciona a Bio-Impedância ? A Bio-Impedância tem sido estudada e melhorada para contextos clínicos desde a década de 60, apesar da sua história científica e estudos sobre as características elétricas do tecidos orgânicos datarem já desde 1871. É a junção das palavras “biologia” com “impedância”. Sendo que Impedância é uma medida física que quantifica a resposta dos compartimentos corporais à passagem de uma corrente elétrica fraca pelo corpo. Basicamente, a máquina avalia a capacidade dos vários tecidos de 'impedir' ou de oferecer resistência à corrente elétrica. . A Bio-Impedância quantifica a magnitude da oposição dos compartimentos biológicos do corpo a uma corrente elétrica alternada e a partir das diferentes oposições dos diferentes tecidos do corpo (e auxiliada por equações preditivas), estima e quantifica a composição corporal do avaliado informando sobre as quantidades e distribuições de massa magra, massa gorda, e massas líquidas. Ao longo do tempo e de várias avaliações estes resultados podem ser comparados e ilustrados em forma de gráficos para aferir a evolução destas quantificações, ie. da composição corporal. Pode-se aferir se o avaliado está perdendo/mantendo/ganhando peso, qual esse tipo de peso (tecidual gordo/tecidual magro/líquido), qual a relação dessas variáveis com a diálise e com os sintomas; etc. O que é Peso Seco e porque é importante que este esteja o melhor possível bem ajustado ? O Peso Seco é o peso de uma pessoa sem líquidos nem em excesso nem em défice. Este peso seco é normalmente regulado pelos rins saudáveis através da excreção ou retenção de líquidos ao longo do dia, consoante a nossa dieta e outros fatores. Na Insuficiência Renal este valor é ajustado através da máquina de diálise e sua prescrição de diálise. O valor do peso é importante pois o excesso ou o défice de líquidos não é saudável e provoca sintomas. No caso do excesso de líquidos : - podemos acumular edemas nos membros inferiores e outras zonas do corpo; dá-se - desregular as tensões arteriais, elevando-as - diluir componentes essenciais da circulação sanguínea - exigir diálises mais intensas e mais ofensivas para o corpo (podendo paradoxalmente provocar hipo-tensões) - falta de ar, tosse durante a noite - entre outros problemas No caso do défice de líquidos (também chamado estado de "desidratação") : - podemos sentir fraqueza, tonturas, pele seca - pode induzir a sede exagerada - aumento de risco de hipotensão (tensão arterial baixa) e desmaios Por isso é também importante informar a equipa quando tiver experienciando vómitos, diarréias, transpiração excessiva, febre e afins, pois estas variáveis influenciam o estado de hidratação. Passos De Utilização Do BCM : BCM - Body Composition Monitor (Fresenius) Confirmar a posição do paciente: Deitado horizontalmente, braços repousados na maca e afastados do tronco, pernas repousadas e afastadas uma da outra Colocar os eléctrodos na mão e pé (descalços) do lado oposto ao da fístula/catéter. Confirmar a ausência de objetos metálicos nos membros do lado da medição (pulseiras, relógios, telemóvel no bolso, etc), pois interferem com a acurácia dos resultados. Colocar 4 elétrodos, 2 na mão e 2 no pé (cada para a uma distância de cerca de 3 cm). Deixar a cola fixar bem à pele durante 2 minutos (enquanto isso, fazer o passo 5) Inserir os dados do paciente no BCM: peso atual, idade, altura, tensões médias/típicas do paciente ("média de 2 semanas"). Também mas não obrigatoriamente pode inserir o volume de ultrafiltração. Como mostra a figura em cima, ligar o cabo vermelho ao elétrodo mais distalmente e o cabo preto ao mais proximal. Informar o paciente para se manter imóvel durante o próximo minuto, na posição definida no ponto 1, relaxado e sem falar. E confirmar que os cabos não estão entrelaçados, que não estão a tocar no chão, nem próximos de equipamentos eletrónicos como telemóveis e afins. Clicar em iniciar avaliação (que não deverá demorar mais que poucos minutos) Obter resultado e fazer leitura/interpretação. Notas adicionais e fatores que influenciam a medição: A ingestão de alimentos pouco antes da medição terá a seguinte influência na medição: contabilizará no peso, mas estando ainda na secção do estômago não irá ser contabilizado na medição da bio-impedância, fazendo com que o resultado sub-estime alguns parâmetros intra- e extracelulares e sobre-estime o valores de massa gorda. Portanto é aconselhável não ingerir antes da avaliação Atividade física, temperaturas extremas e febre alterarão a acurácia do resultado por alterações na circulação A medição com precisão do peso e da altura são muito importantes, pois variações pequenas podem ter influências grandes no resultado final (principalmente nos valores de massa gorda e massa magra) As medições devem ser feitas sempre que possível em à mesma hora das anteriores e das futuras. É importante realizar as bio-impedâncias sempre nas mesmas condições para que as comparações sejam, comparáveis . Considerações do Manual BCM Fresenius: "Se um Paciente tiver um pacemaker unipolar e for totalmente dependente deste dispositivo devido a uma descompensação cardíaca grave, verifique sempre o limiar de sensibilidade do pacemaker antes de realizar a avaliação. A avaliação não deve ser feita num doente com um pacemaker de limiar de sensibilidade muito baixo. ; As avaliações precisas de pacientes com implantes metálicos não podem ser garantidas. ; As avaliações para Pacientes amputados só são permitidas onde uma avaliação mão-a-mão, mão-a-pé ou pé-a-pé pode ser realizada. ; Pacientes de diálise peritoneal podem ser avaliados com uma cavidade peritoneal cheia ou vazia. O peso a introduzir no BCM – Body Composition Monitor é o peso do paciente com a cavidade peritoneal vazia. ; um cateter venoso central pode constituir uma conexão eletricamente condutora acessível externamente ao coração (e um ponto de entrada para micróbios), o que pode causar um risco para o Paciente quando o BCM – Body Composition Monitor é usado. Nunca avalie pacientes com um cateter venoso central enquanto estiverem conectados ao equipamento de tratamento." Anexos:
- Falta de Apetite - Alguns Conselhos
Sobre a Falta de Apetite Por vezes as pessoas em diálise referem perda ou diminuição do apetite. Este é um sintoma normal e comum principalmente nos inícios da adaptação aos tratamentos de diálise. Isto deve-se principalmente ao facto de as toxinas do sangue que normalmente seriam excretadas pelos rins e pela urina ainda não terem tido tempo (e tratamentos suficientes) para serem excretados. É geralmente uma questão de tempo até melhorar. Aqui ficam algumas sugestões que podem melhorar essa situação e tornar menos problemática a hora das refeições : - Não beber às refeições. É preferível beber no intervalo das refeições; - Prefirir bebidas ricas/densas em calorias e nutrientes. Por exemplo: um batido com suplemento proteico (sob conselho clínico), com leite gordo, alguma pouca fruta, cereais, iogurte, mel, etc; - Beber com uma palhinha (diminui a sensação de enjôo); - Ingerir os alimentos arrefecidos (mornos). Evitar refeições demasiado quentes; - Preferir alimentos com sabor neutro. (evitar picantes, apimentados, salgados...); - Arejar o local onde vai fazer a sua refeição. (cozinha, sala de jantar); - Decorar e empratar os pratos das refeições de forma apelativa. - Evitar alimentos e refeições demasiado secas. (com auxílio do azeite, do vinagre, da água) - Comer em companhia. Tirando partido do contexto de grupo, de distração, de incentivo e motivação não forçados; - Se acordar enjoado, experimente comer algumas bolachas de arroz ou de água&sal antes de se levantar; - Faça refeições pequenas e frequentes: comer pouco de cada vez mas várias vezes ao dia. Em oposição a fazer poucas e grandes refeições; - Coma coisas que goste. Lembre-se que os limites à ingestão de fósforo e potássio são dependentes não só da seleção dos alimentos que ingerimos como das quantidades. Se se encontra em uma fase de falta de apetite, estará a comer pouco (e a acumular pouco peso entre-diálises) e então pode permitir-se a "pecar" em alimentos mais desaconselhados em condições normais. Exemplos: pizzas, gelados, queijos, etc.
- O Primeiro Tratamento na CentroDial
Quando a Diálise Começa na CentroDial Como vai ser o primeiro tratamento ? O que esperar ? Como se vai sentir (antes, durante e após) ? Qual o melhor horário ? Quanto tempo demora ? O seu primeiro tratamento de diálise O seu primeiro tratamento de diálise será na Unidade de Orientação. O seu médico e a sua enfermeira tomarão as providências para o seu primeiro tratamento. Quando chegar para o primeiro tratamento, será acompanhado até à sala de tratamento, onde a sua enfermeira virá ter consigo para lhe mostrar o Centro e iniciar a diálise. Terá de tirar sangue para diversos testes como parte do seu primeiro tratamento. Os primeiros tratamento na CentroDial irão decorrer numa sala própria, a que damos o nome de Unidade de Orientação, e que é exclusiva para as primeiras sessões. Aí fará diálise acompanhado por uma Enfermeira e terá oportunidade de tomar contacto com a Equipe que o irá tratar, aprender o que é a Diálise e quais os efeitos que ela terá na sua vida, e como melhor lidar com o tratamento. O ensino será administrado por uma Enfermeira dedicada ao ensino de novos pacientes. Pode-se fazer acompanhar pelo seu familiar mais próximo para que este ensino seja conjunto. Após alguns dias ou semanas nesta sala, você e os seus familiares devem estar em condições de poder decidir qual o melhor tratamento para si. Se fazer diálise assistida, ou auto-diálise, ou diálise em casa ou diálise peritoneal. Qualquer que seja a sua opção, a CentroDial tudo fará ao seu alcance para auxiliar. Após este período, deve também se for o caso, estar inscrito numa Unidade de Transplante, caso seja essa a sua opção. A CentroDial ajuda neste processo, marcando-lhe as consultas no Centro ou Centros da sua preferência. Duração e estratégia do tratamento A duração da diálise de cada pessoa varia e depende do número de horas de tratamento que o seu médico prescreveu. Os tratamentos de hemodiálise geralmente duram de 3 a 4 horas. No entanto na fase inicial em Unidade de Orientação, e para não sentir qualquer mal-estar provocado por alterações rápidas corporais, a diálise inicia-se geralmente com menos tempo (2 horas a 2 horas e meia) e vai aumentando gradualmente de diálise para diálise, até atingir uma dose que seja a melhor para si, e que será prescrita pelo médico em acordo consigo. A estratégia de diálise, como seja o tipo de filtro, o débito de banho ou sangue, o tipo de agulhas, etc., é da responsabilidade do seu médico, que o esclarecerá sempre das razões das opções tomadas. Como se irá sentir durante a diálise É natural que se sinta nervoso e inquieto nos seus primeiros tratamentos. As enfermeiras e os técnicos que vão cuidar de si irão ajudá-lo a ultrapassar estes receios explicando-lhe o que vão fazer e o que esperam que você faça. Nem todos se sentem da mesma forma durante o tratamento. Poderá ter algum destes ou outros sintomas, ou não ter qualquer um. A maior parte dos sintomas podem ser evitados ou tratados. Deve avisar se estiver a sentir alguma coisa fora do normal. Os utentes com fístula poderão sentir uma picada ou pressão enquanto as agulhas são inseridas. Geralmente as primeiras picadas são feitas com anestesia local. Com o tempo deixa de ser necessária pois a zona torna-se menos sensível e as pessoas habituam-se. Assim que as agulhas estiverem no sítio não deverá senti-las. Após o seu primeiro tratamento Cada pessoa reage de forma diferente ao seu primeiro tratamento. Aqueles que se sentem bem após a diálise podem continuar com as suas atividades normais. Algumas pessoas sentem-se fisicamente esgotadas, extenuadas e precisam de descansar. Após diversos tratamentos de diálise, a maior parte das pessoas sente-se melhor que anteriormente. Se os seus sintomas continuarem ou parecem piorar, diga ao seu médico ou enfermeira. O horário de diálise A grande maioria dos utentes faz o tratamento 3 vezes por semana em dias alternados. Ou optam pelas segundas, quartas e sextas. Ou pelas terças, quintas e sábados. A CentroDial está encerrada ao Domingo. Existem 3 turnos por dia: manhã, tarde e noite. Normalmente, o primeiro tratamento é durante o dia, mas poderá ser solicitado a fazer a diálise em horários diferentes no futuro. O horário definitivo será acordado entre a sua preferência e a disponibilidade da CentroDial. Sempre que possível iremos ao encontro da sua preferência. Mudanças ocasionais de horário de diálise: Por motivos de ordem pessoal pode pedir para que lhe mudem o seu horário de diálise. Este pedido deve ser feito à sua Enfermeira Responsável de turno, que lhe dirá quais as horas e os turnos vagos do Centro. A CentroDial esforça-se especialmente por ir de encontro das necessidades daqueles que trabalham ou estudam, mas tudo fará para solucionar todas as necessidades ocasionais dos seus utentes. A Chegada à CentroDial Existem 2 possibilidades de transporte: ou por via de transporte próprio; ou através de uma Ambulância gratuita que lhe vai buscar e levar a casa. Em regra os utentes chegam cerca de meia hora antes do início da diálise. A Centrodial possuiu uma sala de espera onde os pacientes aguardam pelo início da diálise. Muitos pacientes utilizam este tempo para trocar de calçado ou vestuário, pesarem-se, conversarem, verem TV, tomar um café, porem a leitura em dia. Pode também utilizar este tempo para fazer algum exercício físico na bicicleta ou tapete no ginásio da Clínica. A Entrada na Sala de Diálise A entrada na sala de diálise só se efectua quando a sala de diálise está devidamente pronta para se iniciar o tratamento. Isto quer dizer que as máquinas de diálise estão prontas, a sala está limpa e desinfectada. Pode acontecer que por motivos imprevistos surja ocasionalmente algum atraso no início da sessão da diálise. Se tal acontecer, os elementos da Equipe de tratamento, informarão do sucedido e os utentes deverão aguardar até a sala estar preparada para o início do turno. Regra geral, tudo decorre sempre dentro dos horários previstos. Peso: Antes de entrar na sala todos os utentes são pesados. Isto deve ser feito pelo próprio utente, que será ensinado a pesar-se, ou em casos de incapacidade ou a pedido, pelo pessoal auxiliar ou técnico de diálise destacados para esta actividade. Lavagem do braço da fistula: Ao entrar na sala, todos os utentes capazes são aconselhados a lavarem o braço da fístula, sendo o seu ensino feito nas primeiras sessões de diálise na Unidade de Orientação. Lavar bem o braço é importante porque sem uma boa lavagem do braço é difícil uma boa desinfeção dos locais de punção. Uma boa lavagem previne as infeções da fístula, que a ocorrerem podem por em perigo a própria fístula. Acomodação no cadeirão: Depois de pesar e da higiene do braço, os pacientes vão para os respetivos cadeirões, sós ou acompanhados. Aí, devem aguardar o início da diálise, esperando pela sua vez, que a Enfermeira os puncione ou faça a ligação à máquina de diálise. Este é um período de alguma ansiedade para muitos utentes. Poucas pessoas gostam de agulhas, pelo que o ato de picar é sempre um momento de algum stress, principalmente se o acesso é difícil ou apresenta algum problema em particular. Esta é uma das razões porque muitos pacientes querem ser puncionados o mais rapidamente possível, não compreendendo muitas vezes porque é que a Enfermeira puncionou outro utente primeiro e não ele. Organização da sala de diálise: A organização da sala e a ordem de ligar os pacientes obedece a uma filosofia traçada pela Unidade e seguida pela Enfermeira Responsável desse turno, que visa tornar o trabalho o mais eficaz e eficiente, de modo a satisfazer a qualidade de serviço a prestar a todos os pacientes. Os acessos mais complicados ou difíceis são sempre deixados para o fim, porque exigem maior cuidado e tempo por parte do pessoal de Enfermagem, que assim se dedicam em exclusivo a eles. Quando tiver algum desacordo durante qualquer fase do tratamento, deve dialogar com a sua Enfermeira Responsável de turno, com a Enfermeira Chefe ou com o Médico, que tudo farão para o esclarecer e atender às suas necessidades. A diálise A diálise tem como objetivo eliminar do corpo os produtos tóxicos que se acumularam devido ao rim não funcionar devidamente, e por outro lado remover o excesso de líquidos que se acumularam entre as diálises. Ambos componentes são importantes. Por vezes alguns pacientes pensam que o tempo da diálise só tem a ver com o excesso de peso acumulado, e raciocinam que como trazem pouco peso, a diálise deve ser encurtada. Mas o tempo de diálise é calculado pelo médico de modo a “purificar” o sangue, ou seja eliminar os produtos tóxicos. O peso será mais importante no caso dos pacientes que aumentam muito entre as diálises, que poderão ter de aumentar o tempo de diálise para poderem tolerar a remoção desses líquidos. Por isso, respeitar as orientações do seu médico, enfermeira e nutricionista quanto à alimentação e ingestão de líquidos torna-se muito importante para a qualidade da sua diálise e da sua saúde. A equipe tudo fará para que a diálise decorra sem complicações. O ambiente na sala de diálise: Durante a sessão pode ler, ver TV, conversar com colegas ao lado ou com familiar que o acompanhe. A sala é no entanto um local que exige a maior tranquilidade e onde é obrigatório o respeito pelo sossego e conforto de todos que aí têm de permanecer durante o tratamento, não sendo permitido falar alto ou comportar-se de qualquer modo que ponha em causa a serenidade necessária à diálise de todos os utentes e ao trabalho dos profissionais de saúde. Os medicamentos Traga todos os medicamentos que anda a tomar no primeiro dia de tratamento, e sempre que o seu Médico ou Enfermeiro o pedir. Existem muitas razões para o fazer: · Poderá ter de tomar alguns medicamentos enquanto está a fazer diálise. Consulte o seu médico para saber se pode tomar qualquer medicamento assim que iniciar a diálise (como por exemplo medicamentos para a pressão sanguínea ou insulina). · A CentroDial mantém um registo exacto de medicamentos para cada paciente. Uma enfermeira conversará consigo sobre isto e fará uma revisão da lista todos os meses. · Muitos medicamentos considerados essenciais ao seu tratamento são gratuitos. É a própria Unidade que lhe fornece essa medicação. · A restante medicação de que necessitar, depois de prescrita pelo seu médico, terá que a comprar na farmácia. Comer antes e durante a diálise Se fizer uma refeição pesada antes da diálise poderá sentir-se mal ou mesmo vomitar. Haverá mais sangue a fluir para o seu estômago ao mesmo tempo que necessita de sangue a circular na máquina de diálise. Poderá comer uma refeição ligeira pelo menos 2 a 3 horas antes da diálise. Planeie uma refeição que seja fácil de preparar para depois ao chegar a casa. Certifique-se de que tem calorias suficientes para compensar o que não consumiu durante o dia. Consulte a/o seu nutricionista se tiver perguntas sobre aquilo que pode comer. Se tiver diabetes, consulte o seu médico sobre as refeições e a insulina que tem de tomar. Fim da Diálise A diálise termina quando foi feito o penso no local da FAV e a avaliação clínica. No final, caso não tenha que tratar de nenhum assunto com o seu médico ou assistente social, deverá aguardar na sala de espera o transporte que o levará a casa. Em caso de necessidade será acompanhado pelos profissionais da Unidade. Como obter ajuda quando a Unidade está fechada A Clínica dispõem de vários contactos de telefone que lhe serão facultados para responder a qualquer emergência, disponíveis 24h todos os dias da semana, e está sempre aberta fisicamente (exceto no Domingo) para lhe receber e tirar qualquer tipo de dúvida que tenha. Outras informações que possa necessitar O que pode fazer durante a diálise As atividades mais apreciadas são ver televisão, ler ou dormir. Os televisores são fornecidos pela CentroDial. Poderá trazer o seu próprio computador, telemóvel ou rádio e utilizá-lo com um auricular. Também poderá efectuar outras atividades silenciosas, tais como estudar, escrever ou fazer crochet. O que vestir Vista roupas confortáveis e apenas evite vestuário que não facilite o acesso ao seu acesso de diálise (à sua fístula ou cateter). Mangas largas e curtas são melhores para medir a pressão arterial durante o tratamento e para ter acesso à fistula. Muitas pessoas sentem frio enquanto estão a fazer a diálise, por isso a CentroDial fornece lençóis, cobertores e almofadas. Utilize calçado confortável, de preferência chinelos que pode deixá-los na Unidade. Programa de cuidados a longo termo Passadas algumas semanas depois de iniciar a diálise, você e a sua Assistente Social irão desenvolver um programa de cuidados a longo termo. Nesta altura irá: · Rever as diferentes opções de tratamento oferecidas · Rever os serviços disponíveis · Discutir planos para o tipo e o local da diálise Esta é uma boa oportunidade para ver como o tratamento está a correr. Pode conversar sobre qualquer alteração necessária e planear possíveis melhorias. Lembre-se que o seu programa de cuidados pode ser alterado a qualquer momento à medida que as suas necessidades e desejos mudarem. Conhecer outros utentes A insuficiência renal resulta num processo contínuo de adaptação física e emocional. A companhia e o apoio dos outros utentes podem ser de grande ajuda neste processo. Há diversos programas e serviços que reúnem os utentes para darem e receberem apoio, como é por exemplo a A.P.I.R. - Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, através de encontros, convívios, espectáculos, passeios, etc. Conclusão A leitura desta informação pode ter respondido a muitas das suas questões sobre o tratamento da diálise na CentroDial. Também pode ter dado origem a outras perguntas/dúvidas. Não hesite em as colocar à nossa/sua Equipa. Outras Informações Estacionamento Os utentes que se deslocam em meio de transporte próprio têm a seu cargo o estacionamento do automóvel. O estacionamento é relativamente fácil na zona da Clínica. Em casos de Urgência pode deixar o carro no parque limitado da Clínica. Serviço de acompanhamento Em caso de necessidade pode ser acompanhado até à ambulância/táxi pelas enfermeiras, técnicas de diálise ou pelo pessoal auxiliar. Sendo transportado em ambulância os próprios bombeiros acompanham o utente. Objetos não permitidos Os utentes ou visitantes estão proibidos de trazer ou utilizar qualquer um dos seguintes objectos: bebidas alcoólicas, drogas ilegais, fogo de artificio, objectos inflamáveis, tóxicos ou explosivos, armas de fogo ou outras armas. Áreas de espera A CentroDial tem uma área de espera ou sala para os utentes. Estas áreas são para os utentes utilizarem quando chegam ao Centro e para quando completam o seu tratamento de diálise. Familiares e amigos também devem aguardar na sala de espera indicação para entrar na zona condicionada ao tratamento. Televisão A CentroDial dispõe de televisores que serão regulados de modo a não perturbar nenhum utente e sintonizados em um canal da preferência da maioria dos utentes. Qualquer problema com o televisor deve ser comunicado aos funcionários da unidade. Fumar É proibido fumar nas instalações da CentroDial. Visitantes As prioridades dos funcionários da CentroDial são a segurança e conforto dos utentes e o funcionamento eficaz dos serviços. Por estes motivos existem diretrizes para os visitantes. Os familiares são sempre bem-vindos e podem e devem visitar a Unidade regularmente. Os visitantes são bem-vindos na Unidade, podendo acompanhar o familiar ou amigo durante toda a fase do tratamento. As crianças têm de ser vigiadas a tempo inteiro por um adulto que não seja o utente. Os visitantes de um utente devem evitar visitas com mais que 1 ou 2 de cada vez. Deve evitar-se fazer barulho para o conforto dos outros utentes. Os visitantes poderão ter de abandonar o Centro devido a condições do utente ou atividades na Unidade. Enquanto o utente permaneça na Unidade de Orientação é bem-vinda a presença de um familiar, ou a pessoa que cuide do utente em casa, durante todo o tratamento. Isto porque durante o período de permanência nesta Unidade o utente irá aprender muitos aspetos relacionados com a doença renal e com o tratamento e é importante que aqueles que convivem mais próximo dele possam partilhar destes conhecimentos pois assim estarão a contribuir para um melhor ajustamento das suas vidas à Diálise. Com os melhores cumprimentos, A Equipa CentroDial
- Os Alimentos com mais Potássio ⚠️
A Lista dos Alimentos Mais Ricos em Potássio Atenção: não necessariamente os alimentos desta lista devem ser evitados ou eliminados da alimentação diária do Insuficiente Renal. Ler as notas posteriores. - Frutas em geral especialmente banana, kiwi, mucúa (Baobab), damascos/alperces/nêsperas, abacate - Batata - Hortícolas e Vegetais em geral - Fermento de padeiro (em oposição ao Fermento em pó ou químico de bicarbonato) . Dever-se-á ter atenção portanto aos produtos alimentares que o contêm, como sejam os produtos de pastelaria em geral, bolo-rei, folar, pizzas, brioches, etc - Sal de Baixo Sódio (tem muito potássio) - Café solúvel (em oposição ao Café em pó de moagem ou ao Café de cápsula) - Leite em pó - Cacau em pó - Refrigerantes e Sumos naturais - Carnes processadas, enchidos, presuntos, charcutarias, fumados - Comidas processadas (mcdonalds, francesinhas, fast-foods, chocapics, nesquik, etc) - Farinhas Lácteas (cerelacs, etc) - Frutas desidratadas - Leguminosas (lentilhas, feijões, favas, ervilhas, grão de bico, lentilhas, grão de soja, etc) - Oleoginosas (frutos secos, nozes, amêndoas, pistachios, amendoins, sementes [de abóbora, de linhaça, de girassol, etc], etc) - Suplementos dietéticos com potássio - Carnes e Peixes (ex: salmão, sardinhas, frango, porco, etc) Considerações importantes a ter em conta nas compras de super-mercado para esquivar ao potássio: - fugir dos alimentos da lista anterior que não contêm qualquer benefício nutricional (ex: bolos, charcutarias, etc) e moderar (não eliminar!) aqueles da lista que contém benefícios nutricionais apesar do valor elevado de potássio (ex: vegetais, frutas, frutos secos); - a estes últimos, aos alimentos a moderar, deve-se aplicar sempre as regras do controlo das quantidades (ex: 2-3 porções pequenas de fruta por dia) e da confeção em duas águas (ex: no que toca aos hortícolas, vegetais e batatas); - fugir dos alimentos processados e industrializados em geral (que além de não serem imprescindíveis ao corpo humano ou á saúde, necessitam da adição de conservantes e aditivos que são várias vezes à base de potássio); - Optar por uma alimentação "ao natural" e que não necessita de embalamentos ou rótulos (carnes, peixes, ovos, pão, aveia, arroz, massa, batata, frutas, vegetais, frutos secos, azeite); - Não cair no erro de excluir todos os alimentos da lista acima só "porque têm muito potássio". Muitos deles têm benefícios nutricionais exclusivos e podem (e devem) perfeitamente ser incluídos de forma controlada numa alimentação saudável e amiga da saúde renal; - na impossibilidade de seguir à risca a medida anterior, ler os rótulos dos produtos alimentares e procurar na secção [ Ingredientes: ] as palavras "potássio", "potássico" (além das palavras "fósforo", "fosfórico" e "óleo hidrogenado" que também devem ser evitados). Não é preciso saber o que significam todas as palavras; apenas precisa de procurar pela presença ou ausência dessas palavras específicas; - Se as suas análises do potássio estiverem frequentemente altas, será também de considerar a pesquisa mais exigente dos seguintes números nos rótulos alimentares: . E202 Sorbato de potássio . E212 Benzoato de potássio . E224 Metabissulfito de potássio . E225 Sulfito de potássio . E228 Bissulfito de potássio . E249 Nitrito de potássio . E252 Nitrato de potássio . E261 Acetato de potássio . E283 Propionato de potássio . E402 Alginato de potássio (espessante, emulsionante, estabilizador, gelificante) . E442 Fosfatidato de amónio . E450 Difosfatos: (i) Difosfato dissódico (ii) Difosfato trissódico (iii) Difosfato tetrassódico (iv) Difosfato dipotássico (v) Difosfato tetrapotássico (vi) Difosfato dicálcico (vii) Hidrogenodifosfato de cálcio (emulsionante) . E451 Trifosfatos: (i) Trifosfato pentassódico (ii) Trifosfato pentapotássico (emulsionante) . E452 Polifosfatos: (i) Polifosfatos de sódio (ii) Polifosfatos de potássio (iii) Polifosfatos de sódio e cálcio (iv) Polifosfatos de cálcio (emulsionante) . E470a Sais de cálcio, potássio e sódio de ácidos gordos (emulsionante, anti-aglomerante) . E954 Sacarina e seus sais de sódio, potássio e cálcio ... e afinal o que é o Potássio exatamente, e porque se deve ter cuidado em Insuficiência Renal ? O potássio é um elemento que constitui várias matérias e corpos sólidos do planeta Terra, desde rochas, à terra, aos seres vivos (faz parte da composição do planeta em cerca de 2,4%). As plantas são corpos ricos em potássio pois necessitam dele para os seus processos biológicos e adquirem-no da terra através das suas raízes. Os animais, também corpos ricos em potássio e que também o precisam para a sua biologia, por sua vez adquirem-no através da alimentação vegetal e/ou através da alimentação de outros animais. [ por exemplo: um corpo humano de 70 kg é composto de 110 - 137 g de potássio, e a ingestão diária média de um adulto é de cerca de 2 - 6 g ]. O potássio tem como principais funções no corpo humano : . o correto funcionamento dos tecidos nervosos e musculares (incluindo o tecido muscular do coração) . compõem várias enzimas e proteínas do corpo humano, essenciais ao funcionamento da sua biologia O potássio é portanto um elemento nutricional imprescindível à saúde da maior parte dos seres vivos incluindo da saúde humana. Um aspeto importante de salientar e completar : o potássio é portanto um elemento nutricional imprescindível à saúde da maior parte dos seres vivos incluindo à saúde humana -> em quantidades específicas, nem a mais nem a menos. A recomendação para a ingestão de potássio na população geral (o chamado RDA ou AI) é de 4,7 g / dia. Enquanto aquela para o Insuficiente Renal é de 40 mg / kg ou 3,0 g. A preocupação com o potássio na Insuficiência Renal prende-se com o facto de a excreção do excesso de potássio no corpo humano ser regido em 90% pela via renal/urinária. E na ausência deste mecanismo de compensação fica facilitada a acumulação de potássio no organismo - clinicamente chamada de hipercaliémia (níveis demasiado altos de potássio no sangue). Consequentemente podem ficar comprometidas as funções antes descritas, sendo de especial importância o comprometimento do normal funcionamento do coração. Os principais sintomas da hipercaliémia são: formigueiros ascendentes que começam nos membros inferiores; fraqueza muscular; palpitações cardíacas; dor no peito; falta de ar; náuseas; vómitos. Apesar de felizmente ser um acontecimento grave, a hipercaliémia é uma ocorrência potencialmente muito grave e que pode pôr em perigo a vida da pessoa e pode necessitar de assistência de urgência. A propensão para a hipercaliémia pode ademais estar aditivamente facilitada se houverem outros fatores presentes (além da alimentação), como sejam algumas medicações e outras patologias (ex. a diabetes). Daí a importância de perceber sobre este tema. O que é a hipercaliémia. Porque pode acontecer. O que se pode fazer para evitar. Refs: https://www.rsc.org/periodic-table/element/19/potassium https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3648706 Krause's Food & The Nutrition Care Process 14th Ed. Elsevier https://ods.od.nih.gov/factsheets/Potassium-HealthProfessional/ https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-of-hypercalcemia
- Os 10 Mandamentos da CentroDial
Mandamento 1 : O Acesso Vascular Trate do acesso vascular como a linha que o mantém ligado à Vida. Protege o teu acesso vascular. Sinta-o todos os dias, lave o braço da FAV antes da diálise, faça uma hemóstase prolongada e evite esforços ou pegar em pesos com o braço da FAV após a diálise. Fale com o seu medico ou enfermeira para saber como fazer em caso de hemorragia pelo acesso se acaso ainda não lhe tenham ensinado. Sempre que note qualquer anomalia com a FAV contacte a Unidade. Mandamento 2 : Punção Sempre que a fístula o permita, deve puncionar a fístula ao longo de todo o trajeto. Muitas fístulas permitem a punção ao longo de um grande segmento de veia (ilustrado a amarelo na imagem). Apesar de poder trazer maior dor no momento da picada, evitar puncionar sempre nas mesmas zonas ajuda a não desenvolver dilatações das veias (chamadas aneurismas) que prejudicam a fístula, facilitam a trombose da veia e são inestéticos. Mandamento 3 : Colheita de Sangue Não deixe colher sangue das veias dos braços. As veias de hoje podem ser precisas para criar uma Fístula amanhã. Evite a todo o custo colher sangue das veias dos braços. Mandamento 4 : Exercício Mantenha exercício físico regular. A Diálise retira e dá energia. O cansaço pode ser um sinal de insuficiente diálise ou de um estilo de vida pouco ativo. Não desperdice a oportunidade para fazer exercício: caminhadas ou outra atividade dentro das suas possibilidades. O melhor e mais barato "medicamento" é o exercício físico regular. Mandamento 5 : Dieta Faça uma dieta equilibrada, rica em fibra, pobre em sal e alimentos processados. Todos os alimento habituais da cozinha portuguesa podem ser consumidos, apenas é preciso saber quais aqueles que se tem de comer com mais cuidado e moderação. Fuja do sal, bebidas gaseificadas e adocicadas, e produtos de pastelaria. Nunca coma pizzas, Mac-Donalds, Francesinhas e outros alimentos “fast-food”. Fuja da comida processada e das refeições feitas fora de casa. Consulte o/a Nutricionista para esclarecer sobre estas questões e informe sempre a equipa clínica quando/antes pensar em tomar suplementos ervanários e chás. Mandamento 6 : Tensão Arterial Ajuste o seu peso seco regularmente de modo a manter a tensão arterial controlada e a sentir-se bem. A insuficiência renal predispõem regra geral à hipertensão. Se anda hipertenso lembre-se que o sal e o peso podem controlar mais de 90% da hipertensão sem necessidade de medicação. Evite aumentar mais que 4% do seu peso corporal entre as diálises, o que em geral se traduz em cerca de 2 a 2,5 Kg. Maiores aumentos sobrecarregam o coração com inúmeras complicações a prazo, e tornam mais complicadas as diálises e o bem estar após a diálise. Se tiver tendência para a tensão baixa, deve ter cuidado quando se levanta, principalmente de manhã. Sente-se primeiro, deixe o corpo adaptar-se à postura e lentamente levante-se verificando se não tem tonturas ou sensação de desmaio. Se isso for o caso, volte a sentar-se ou a deitar até ficar melhor. Inicie programa de exercício regular, que pode melhorar a hipotensão postural. Mandamento 7 : Fim de Semana Tenha sempre cuidado com os fins de semana. Muitas das complicações surgem durante os fins de semana, altura em que o tempo entre as diálises é maior. Nestes períodos é sempre mais fácil acumular peso e potássio. Qualquer deles pode colocar a vida em risco e quando exagerado pode obrigar a fazer diálise de urgência no Hospital. Por isso: Reduza a quantidade de fruta e outros alimentos ricos em potássio; Verifique o peso diariamente e em caso de aumento fora do normal, reduza a quantidade de líquidos e alimentos diários; Se tem alguma festa ou comemoração evite as frutas, os sumos/refrigerantes, os doces, queijos e frutos secos. Coma com moderação e evite igualar os outros convidados. Mandamento 8 : Peso Seco Ajuste regularmente o seu Peso Seco. Em uma pessoa com os rins a funcionar bem, o peso varia de dia para dia, muitas vezes mais de um quilo. Isto tem que ver com as necessidades do corpo em manter um equilíbrio de solutos e água corporal. Para quem está em diálise o peso tem de ser ajustado regularmente de modo a evitar o aumento de água corporal, e assim regular a tensão arterial e o bem estar físico. Por isso, o valor do peso não deve ser um objetivo fixo. Se a tensão tiver tendência para aumentar é bom tentar reduzir lentamente o peso seco. Se a tensão arterial começar a descer na diálise e não se toma medicação para as tensões, é possível ir aumentando o valor do peso seco. À medida que a idade avança existe tendência para perder peso, e no doente renal inativo essa tendência é mais acentuada. Por isso, não se fixe em um peso que tinha no passado, antes procure encontrar o peso que melhor controla a sua tensão e lhe confere bem estar. Ser magro não é sinal de doença, e tentar manter um peso corporal ao mesmo tempo que se acumula líquido, sobrecarrega o coração, e aumenta-se o risco de complicações cardiovasculares. Mandamento 9 : Potássio O Potássio pode matar. Em insuficiência renal, quando o potássio aumenta rapidamente no sangue, os músculos enfraquecem, aparecem formigueiros nos membros inferiores e o coração pode parar. Há alimentos do nosso dia-a-dia muito ricos em potássio e que devem ser consumidos moderadamente. Outros podem ser consumidos desde que o potássio seja reduzido através de uma primeira cozedura ou colocação de molho de um dia para outro. Isto é ainda mais importante aos fins-de-semana quando o tempo entre diálises é maior. Por regra, todos os alimentos que vêm da terra são ricos em potássio, bem como todos os grãos e sementes. Consulte a tabela de alimentos ricos em potássio. Fale com o/a nutricionista se costuma ter valores de potássio acima de 6 no início da diálise. Tente manter o seu potássio abaixo do 6. Mandamento 10 : Fósforo O aumento de fósforo afeta os ossos, o coração e os vasos. Quando o fósforo aumenta no sangue acima dos valores normais (4.0 - 5.5 mg/dL) começam a aparecer complicações ósseas, cardíacas e calcificações vasculares pondo em risco a vida e saúde a longo prazo. O fósforo existe em quase todos os alimentos e alguns são importantes numa dieta saudável, por isso deve evitar-se aqueles alimentos ricos em fósforo que podem ser dispensáveis, como os produtos de pastelaria, queijos, charcutarias, refrigerantes, fast-foods, e outros. Outros podem ser reduzidos como os produtos lácteos, carnes e peixe. Uma maneira de reduzir o fósforo de alimentos como a carne e o peixe é dar-lhes uma cozedura antes de os confecionar/assar/grelhar/refogar/etc. Consulte o seu guia alimentar e fale com o/a Nutricionista se o seu fósforo costuma estar acima de 5.5. Tente manter o fósforo dentro dos limites de 4-5.5. -- Centrodial
- História da Diálise Domiciliária
A história da HemoDiálise Domiciliária (HDD) confunde-se com a história da própria Diálise. Em 1960 o Dr. Belding Scribner a trabalhar em Seattle, Washington desenvolveu um pequeno "shunt" que ligava uma artéria a uma veia (o shunt arterio-venoso) e que permitia o acesso à circulação sanguínea de uma forma continuada no tempo, tornando possível a realização da diálise por tempo indefinido. O primeiro doente a fazer diálise foi um maquinista da Boeing de nome Clyde Shields, que permaneceu em diálise durante mais de 10 anos. Logo de seguida mais 3 doentes iniciaram diálise e com excepção de um doente que faleceu de complicações cardiovasculares alguns meses após iniciar diálise todos os outros sobreviveram em diálise por longos anos. Assim, tornou-se possível substituir um órgão vital de modo a sustentar a vida de um insuficiente renal por um período de tempo indefinido. Este marco catapultou a diálise para a posição de um dos maiores avanços médicos do séc. XX, e tornou possível para os Insuficientes Renais Crónicos (IRC) a esperança e a possibilidade da não fatalidade da sua condição patológica que sem este tratamento seguia o curso natural para a morte. O desenvolvimento da diálise iniciou-se com apoios para investigação, de modo que fornecer diálise a mais doentes obrigou a uma recolha de fundos em outras instituições públicas e privadas. Em virtude da escassez destes recursos, no advento da disponibilidade deste tratamento a entrada/seleção dos pacientes para fazer diálise estava restrita apenas a alguns doentes que obedeciam a critérios muito apertados definidos por comissões médicas e de aceitação. Estas comissões (ou comités) ficaram conhecidas como as "Comités da vida e morte". Foram tempos difíceis para a comunidade dos médicos que tratavam estes doentes - e claro ainda mais para os próprios doentes. Foi também devido ao trabalho destes comités científicos e organizados para este fim específico que surge a disciplina da Bioética em medicina. Uma jovem, de nome Carolina de 16 anos, que sofria de lúpus eritematoso e tinha sido rejeitada para fazer diálise, levou Dr. Scribner e o seu Engenheiro Dr. Babb a encetarem uma corrida contra o tempo afim de prepararem uma máquina e tratamento de águas que pudesse ser levada para casa, que fosse segura e que permitisse ser operada pela mãe de Carolina. Isto foi bem sucedido, e a Carolina foi colocada a fazer diálise no domicÍlio, onde fez diálise durante mais de 5 anos. Depois desta experiência, outras se seguiram, e rapidamente se apercebeu que fazer diálise em casa era possível, seguro e além do mais permitia uma melhor reabilitação. Dado ser mais económica, ir para casa permitia oferecer diálise a mais doentes. Popularizou-se então a expressão “ir para casa ou ser transplantado”. Rapidamente cresceram os programas de diálise em casa. Em Seattle é transformado um motel num local de ensino para diálise domiciliária, o Coach House Motel. Aí foram ensinados muitos doentes de todo os EUA e de alguns países da Europa e Ásia. No início da década de 70, uma grande parte dos doentes IRC praticavam diálise no domicílio: 40% nos EUA, 60% na Inglaterra, 50% na Austrália e Nova Zelândia e cerca de 20% em muitos Países da Europa. Portugal passou ao lado deste fenómeno. Em 1972/1973 o Governo dos EUA aprova a comparticipação da diálise, e a partir daqui surgem por todo os EUA centros de diálise privados, o que veio a permitir o acesso quase universal ao tratamento, mas por outro lado desincentivou a ida para o domicílio. A Diálise Peritoneal, outra modalidade de diálise no domicílio que era mais simples e fácil de aprender começou também a estar disponível. Por estas e outras razões, a diálise domiciliária entrou num franco declínio, atingindo menos de 1% da população em diálise no ano de 2004. Apenas a Austrália e a Nova Zelândia dos Países mantiveram números expressivos de doentes no domicílio, entre os 25 e os 50%. Apesar deste declínio sempre existiram regiões em diferentes países do mundo que mantiveram um grande número de doentes em diálise no domicilio, confirmando os melhores resultados com esta modalidade de tratamento, como seja melhor Reabilitação, mais baixa taxa de hospitalizações e uma mais baixa taxa de mortalidade. O RESURGIMENTO DA DIÁLISE DOMICILIÁRIA Em cima pode-se ver o número de doentes em diálise domiciliária nos EUA de 2000-2007. Pode-se reparar que nos últimos 3 anos o número quase que duplicou. Nos últimos anos, principalmente com novas máquinas mais apropriadas ao domicílio, esta modalidade de diálise parece estar em franca expansão, e as grandes companhias de diálise estão a ver nela um segmento de mercado onde vale a pena investir. O ressurgimento da diálise no domicilio está em curso. Do arquivo Centrodial "Os Primórdios da Diálise Domiciliária" : Referências: - Arquivo Centrodial - https://www.ajkd.org/article/S0272-6386(07)00116-3/fulltext The Early History of Dialysis for Chronic Renal Failure in the United States: A View From Seattle
- Afinal ... O que Posso Comer ? 🤔
Resposta rápida : O insuficiente renal pode comer tudo o que um não insuficiente renal pode comer se este último estiver a seguir uma alimentação saudável e regrada. Resposta mais detalhada : Pode e deve comer de tudo um pouco, e deve saber/perceber quais os alimentos que mais têm potássio e fósforo para não cometer excessos. Como qualquer alimentação saudável, os excessos são de evitar. Uma alimentação desregrada e sem grande consciência sobre o que inclui e exclui, infelizmente faz parte (e sempre fez) da prática comum. Aqueles que não são insuficientes renais apesar de terem "a sorte" de não incorrer em riscos no curto prazo (riscos relativos principalmente à ingestão excessiva de potássio) por praticar ou abusar de tais práticas alimentares, impõem seguramente a longo prazo aumentos de riscos à sua saúde principalmente no que toca a riscos cardiovasculares, de má composição corporal e redução de anos de vida. Portanto, sendo insuficiente renal ou não, deve-se ter atenção às decisões alimentares diariamente. Caso um não insuficiente renal imponha regras alimentares racionais e inteligentes, a sua alimentação não será significativamente diferente da alimentação que o insuficiente renal que faz diálise deve seguir. Em especial, o insuficiente renal deve dar atenção à ingestão de potássio e fósforo (e também aos ganhos de peso entre diálises). Os principais critérios que se deve ter em conta na escolha dos alimentos e refeições em contexto de Insuficiência Renal são: - almejar para ganhos de peso inferiores a 4% do peso seco - precaver o excesso de ingestão de potássio - precaver o excesso de ingestão de fósforo - precaver o excesso de ingestão de sódio/sal - almejar a um peso seco e composição corporal saudável É tão importante a seleção dos alimentos, como a quantidade dos alimentos que se ingere. A seguir apresenta-se a Lista dos Alimentos Mais Permitidos tendo em conta esses critérios: . Bolachas de arroz . Ovo inteiro e Claras de ovo . Carnes / peixes (preferencialmente cozidos em água) . Arroz, massa, farinha de pau / mandioca, cuscuz . Hortaliças leves: alface, pepino, rúcula (seguir a Regra: "1/4 do Prato") . Fruta variada, 2-3 pequenas porções por dia (1 porção = 100 g = volume de quase uma bola de ténis; especial atenção à banana e kiwis) . Sopa (1 por dia, pequena, 1-2 conchas, de vegetais e hortícolas variados, cozida em duas águas) . Ervas aromáticas e Especiarias para condimentar as confecções (pimentas, curcuma, açafrão, cominhos, louro, oregãos, etc) . Gelatina caseira . Geleia caseira . Azeite / vinagre . Café/chá/cevada (tendo em conta o controlo das quantidades e ganho de peso entre diálises) Conselhos Extra para Boas Decisões Alimentares : - Preferir o método de confeção da cozedura, vapor, ou grelha; e evitar a fritura - Ir controlando os ganhos de peso em casa com uma balança de casa-de-banho - Evitar ir comer fora ou ao restaurante com muita frequência. Preferir a confeção das próprias refeições para melhor controlo do que é ingerido A seguir apresenta-se a Lista de Alimentos Permitidos Mas Que Deve Ter Atenção em não Cometer Excessos : (Estes alimentos conferem benefícios e por isso devem ser incluídos em qualquer dieta. Devem ao mesmo tempo ser controlados nas quantidades ingeridas pois têm bastante potássio e/ou fósforo.) . Frutos secos (amêndoas, amendoins, nozes, avelãs, pistachios, cajus, etc) . Sopa (1 por dia, pequena, 1-2 conchas, de vegetais e hortícolas variados, cozida em duas águas) . Sementes (linhaça, sésamo, chia, …) . Leguminosas (feijão, grão, ervilhas, soja; preferencialmente devem ser cozidos em água abundante ou em duas águas) . Tomate e Molho de Tomate Concentrado . Flocos de Aveia, de Centeio . Vinho, cerveja . Batata (máximo 3x/semana, demolhadas e cozidas em duas águas) . Fruta . Fruta variada, 2-3 pequenas porções por dia (1 porção = 100 g = volume de quase uma bola de ténis; especial atenção à banana e kiwis) E por fim, a seguir apresenta-se a Lista de Alimentos (que) Não (devem ser) Permitidos : (Inclui alimentos que não conferem qualquer benefício nutricional a quem os ingere e ademais impõem riscos nutricionais seja pelo excesso de potássio e/ou fósforo e/ou outros componentes. São alimentos (ou melhor dizendo, são produtos alimentares - não são verdadeiramente alimentos) que também devem ser excluídos da alimentação do não insuficiente renal.) . Bolos, croissants, natas, pastelarias doces, etc . Alimentos processados, embalados, e com aditivos . Sal de Baixo Sódio (tem muito potássio) . Café solúvel, Leite em pó . Refrigerantes e Sumos naturais . Carnes processadas, fiambres, enchidos, presuntos, charcutaria, fumados . Comidas processadas: mcdonalds, francesinhas, fast-foods, chocapics, pizzas, bolachas, biscoitos, etc . Frutas desidratadas Os alimentos desta lista devem seguir a Regra: "Quando o Rei faz Anos" (ou seja devem ser reservados para ocasiões muito esporádicas e de comemoração de alguma data especial como seja um aniversário ou o Natal). Frases a reter … "Qualquer pessoa, insuficiente renal ou não, se pretender maximizar a sua qualidade de vida e de saúde, deve ter atenção diariamente às suas escolhas alimentares." "É tão importante a escolha dos alimentos, como a quantidade dos alimentos (uma melhor escolha ingerida em grandes quantidades pode ser pior que uma má escolha ingerida em quantidade pequena)." "Procure ler os rótulos dos alimentos antes de comprar." “Nenhum alimento é proibido em diálise, apenas as quantidades de alguns alimentos são proibidas.” “Os únicos alimentos proibidos são aqueles que também o devem ser para quem não faz diálise.” “Comer para viver, em oposição a viver para comer.” “Comer pouco, várias vezes ao dia, equilibradamente, e variar as opções. Em companhia!” 👨👩👧 “0,5 L de líquido por dia 🍹, mais a quantidade que perde de urina.” “Pesar-se em uma balança frequentemente para controlar os ganhos de peso entre-diálises.“ 🏋️ “Descomplicar seguindo as Regras de Polegar e Tabela-Semáforo da CentroDial!” 🚦 “Nem 8 nem 80!” “A atividade física diária é o melhor ‘comprimido 💊’ para a saúde.” “ Cada refeição é - mais ou menos voluntariamente - um investimento a curto prazo nas sensações gastronómicas e gustatórias, e um investimento a longo-prazo na evolução da saúde da pessoa.”
- Dicionário de Termos de Diálise
Dicionário de Termos de Diálise Acesso Sanguíneo: Local de onde se pode obter sangue para efectuar diálise, como as veias que a fistula desenvolve, ramos do cateter ou prótese. Água filtrada: Água à qual foram removidas as impurezas através da sua filtração. Água oxigenada (H2O2): Solução que dissolve o sangue e utilizada como anti-séptico, destruindo principalmente microrganismos que não toleram o oxigénio. Agulha Arterial: Agulha da fístula que transporta o sangue do organismo para a linha arterial. Agulha de fístula: Agulhas usadas para remover e infundir o sangue durante a diálise. Agulha venosa: Agulha de fístula por onde o sangue retorna ao organismo. Álcool: Anti-séptico e desinfectante. Alergia: Hipersensibilidade a uma substância física ou química, como comida ou drogas. Aminoácidos: Componentes das proteínas que são essenciais para o crescimento e nutrição do organismo. Ampola de gotejo: Câmara existente na linha venosa que apanha as bolhas de ar e permite observar o débito de sangue. Também a denominam de “Caça-bolhas” Análises Sanguíneas: Termo usado quando se fala de testes de sangue que medem os constituintes e produtos tóxicos no sangue. Anemia: Situação em que a quantidade de glóbulos vermelhos e/ou hemoglobina no sangue é inferior ao normal, causando fadiga, enfraquecimento e outros sintomas. Aneurisma: Enfraquecimento e dilatação duma zona da parede do vaso sanguíneo. Angina: Dor no peito. Antiácido: Medicamento utilizado para aliviar o excesso de ácido do estômago, pois causa dor. Alguns contêm anti-flatulentes que aliviam a dor por gases. Pessoas com Insuficiência Renal, normalmente usam-nos pelas suas propriedades de quelantes do fósforo. Antibiótico: Medicação usada para combater as infecções. Inibem o crescimento ou destroem os microorganismos (bactérias). Anticoagulante: Medicação usada para prevenir que o sangue coagule. O anticoagulante mais utilizado é a Heparina. Antigénio: Substâncias estranhas, geralmente microrganismos como vírus, que induzem no nosso organismo a formação de anticorpos. Antihipertensivos: Medicação utilizada para diminuir a tensão arterial alta - a hipertensão. Antisséptico: Químico que elimina e pára o crescimento dos microrganismos (bactérias, vírus, etc.) utilizado para a pele e mucosas. Arritmia: Batimento irregular do coração. Artéria: Vaso sanguíneo que transporta o sangue do coração para o resto do corpo. Arteriografia renal: Exame radiográfico ( raio x ) onde se injecta produto de contraste na artéria principal do rim. Usada para determinar se os vasos sanguíneos do rim são normais e se o tamanho do rim é normal. Assepsia: Ausência de germens, estéril. Bactéria: Organismo microscópico normalmente associado com infecções. Betadine: Anti-séptico que é normalmente usado para limpar o acesso antes da punção. Bicarbonato: Pó branco cristalino usado na solução de diálise ( banho ), ou como medicação, para reduzir a acidez do sangue quando de sofre de Insuficiência Renal. Bisel: Gume afiado da agulha. Bomba de sangue: Dispositivo que move o sangue através das linhas e filtro. By-Pass: Função na máquina de diálise que permite que o banho de diálise não passe através do filtro, prevenindo assim que banho de má qualidade atravesse o filtro. Cálcio: Mineral utilizado pelo organismo na construção e manutenção do osso. É obtido principalmente a partir do leite e seus derivados. O carbonato de cálcio é um suplemento necessário ao Insuficiente Renal, já que este absorve mal o Cálcio ao nível do seu tubo digestivo. Cardíaco: Referente ao coração. Cateter: Pequeno tubo usado para introduzir ou retirar fluidos do organismo. O cateter da veia subclavia ou jugular é usado para efectuar Hemodiálise. Na Diálise peritoneal, utiliza-se um cateter situado no abdómen. CC: Centímetro cúbico. Centígrado: Unidade de medida da temperatura. Circuito extra-corporal (CEC): Conjunto formado pelo filtro e linhas, por onde passa o sangue durante a Hemodiálise. Clamp: Instrumento utilizado para cessar o fluxo de sangue ou soro nas linhas de Diálise, pode ser uma pinça. Clearance: Medida para avaliar a eficácia da diálise ou dos rins; ou seja a capacidade que o filtro ou o rim têm para remover os produtos tóxicos. Cloreto de sódio: Forma comum de sódio, sal de cozinha. Coágulo: Pequena quantidade de sangue coagulado. Compartimento de banho: Uma das duas secções do filtro, onde circula o banho. Compartimento de Sangue: Uma das duas secções do filtro, onde circula o sangue. Concentrado ácido: Solução electrolítica que está diluída com água filtrada para fazer banho de diálise, que possui sódio, potássio, cálcio, magnésio, glicose e cloro. Durante a Diálise o monitor dilui este concentrado juntamente com o concentrado de bicarbonato e água tratada, resultando no banho de Diálise. Condutividade: A capacidade que uma solução electrolítica tem para conduzir uma carga eléctrica. Mede-se com um condutivímetro, que a maior parte dos monitores de Diálise possui no seu interior, regulando automaticamente a qualidade do banho. Contaminado: Quando um objecto esterilizado está sujo. Contracorrente: Dois fluidos a correrem em direcções opostas. Durante a Diálise, no filtro, o sangue corre no sentido da gravidade e o banho corre ao contrário, para cima. Isto aumenta a eficácia das trocas. Convulsão: Contracções musculares incontroláveis. Creatinina: Um produto tóxico resultante do metabolismo celular dos músculos que é normalmente eliminado pelos rins. O nível de creatinina é um dos indicadores da função renal. Débito de banho: Velocidade a que o banho de diálise passa através do filtro e máquina. Débito de Sangue: Velocidade do sangue através do circuito extra-corporal. Desinfectante: Produto químico que destrói os microrganismos, utilizado para as superfícies e equipamentos. O Álcool é ao mesmo tempo desinfectante e anti-séptico. Desinfectar: Destruir as bactérias prejudiciais existentes em superfícies e equipamentos, através duma substância química. Desioniziador: Filtro que remove as impurezas da água, utilizado para produzir água de Diálise. Detector de ar: Sensor que detecta ar na linha de sangue venosa e previne a sua entrada na corrente sanguínea do paciente. Detector de Hemoglobina: Sensor (BLOOD LEAK) situado no trajecto do banho que sai do filtro, que vai para o esgoto, que detecta a presença de sangue no banho, que acontece em caso de ruptura de filtro. É sensível à cor. Dextrose: Um tipo de açúcar. É um ingrediente que pode ser adicionado ao banho. Diabetes: Doença que provoca alteração do metabolismo da insulina no pâncreas resultando num metabolismo anormal do açúcar no organismo. Dialisante: Mistura de concentrados e água filtrada que é usada para remover produtos tóxicos por difusão durante a Diálise. O mesmo que banho ou solução de Diálise. Diálise: Processo usado para remover produtos tóxicos do sangue duma forma artificial. Dialisador: Dispositivo que é constituído por dois compartimentos, do sangue e do banho, estão separados por uma membrana semipermeável. Retira do sangue produtos tóxicos e remove fluidos em excesso. O mesmo que filtro de Diálise ou rim artificial. Dieta renal: Um modelo de alimentação que restringe certos alimentos de modo a evitar que se acumulem no sangue produtos tóxicos ou perigosos, como o potássio. É baseado na função renal residual e nas necessidades individuais. Difusão: Movimento de partículas duma área de concentração alta para uma de concentração baixa. Este processo faz com que os produtos tóxicos passem do sangue para o banho. Doença Poliquística do Rim: Doença hereditária em que quistos se formam no rim, destruindo o tecido renal, tornando esse rim incapaz de desempenhar as suas funções. Dose: Quantidade de medicamento para tomar. Drogas/Medicações imunossupressoras: Medicação dada aos utentes transplantados para ajudar na prevenção da rejeição do rim. A mais comum é a ciclosporina. Edema: Inchaço dos tecidos do corpo, particularmente nas pernas e face, causadas por uma acumulação dos líquidos em excesso. Edema Pulmonar: Líquidos em excesso no pulmão. Electrólito: Elemento com carga eléctrica. Por exemplo: Na+ (sódio) e K+(potássio). Embolismo de ar: Entrada de ar nos vasos sanguíneos, impedindo que o sangue chegue aos tecidos. Engerix B: Vacina contra a Hepatite B. Eritropoietina: Hormona produzida pelo rim. Estimula a medula óssea a produzir glóbulos vermelhos. Já existe actualmente esta hormona sintética, sendo geralmente administrada aos Insuficientes Renais. Esclerose: Endurecimento e espessamento da parede dos vasos. Espasmo: Constrição ou contracção dum músculo ou de uma veia. Estéril: Livre de microorganismos. Esterilização: Método de eliminação total de todos os microorganismos vivos, bactérias, vírus, etc, e de seus esporos (“sementes”). Estetoscópio: Instrumento usado para ouvir o som do coração a bater, o movimento do ar a passar nos pulmões, o frémito da fístula, etc. Excesso de fluidos: Ponto em que a água extra, retida no organismo cria edemas, dificuldade respiratória (dispneia) e trabalho extra para o coração. Ferritina: É uma substância de ferro complexa existente no sangue. O nível no sangue indica a quantidade de ferro armazenado no organismo. Ferro: Mineral necessário para a produção de glóbulos vermelhos. Fibrina: Proteína formada no processo de coagulação. Pode ser vista como manchas brancas ou fios no sangue das linhas ou ampola de gotejo. Filtro de fibras ocas: Filtro formado por um feixe de fibras ocas feitas de material semipermeável. O sangue passa através destas fibras e o banho circula à volta das fibras. Tipo de Dialisador mais utilizado. Fístula: Ligação feita cirurgicamente entre uma artéria a uma veia, que tem como objectivo desenvolver a rede venosa do braço ou antebraço, preparando essas veias para serem puncionadas repetidamente, para o tratamento de Hemodiálise. Formaldeído: Agente químico usado para esterilização. Fósforo ( PO4 ): Elemento mineral necessário para o funcionamento normal do organismo, principalmente para a formação do osso. Fluído: Qualquer coisa que é líquido à temperatura ambiente. Frémito: O som e a vibração produzida pela passagem do sangue através da fístula. Glicose: Tipo de açúcar usado pelo organismo para várias necessidades metabólicas, nomeadamente para produzir energia. Glóbulos brancos: Células do sangue que combatem a infecção no organismo. Glóbulos vermelhos: Células do sangue que transportam o oxigénio. Glomerulonefrite: É uma inflamação do glomérulo ( parte da unidade funcional do rim chamado nefrónio). A destruição progressiva e irreversível da doença crónica leva à necessidade de diálise ou transplante para manter a vida. Hematócrito: Medição da percentagem de glóbulos vermelhos no sangue. Hematoma: Tumefacção escura e dolorosa provocada por sangramento de um vaso sanguíneo danificado, que se verifica debaixo da pele; equimose, pisadura. Hemodiálise: Remoção de produtos tóxicos e líquidos em excesso do organismo por processos de difusão e ultrafiltração através de uma membrana semipermeável dum filtro. Terapia substitutiva da função renal. Hemólise: Rebentamento e destruição de glóbulos vermelhos, normalmente causado por excesso de calor, soluções com concentrações incorrectas ou excesso de pressão. Heparina: Medicação que evita a coagulação do sangue. Anticoagulante. Heparina de carga: A heparina que é injectada quando se inicia diálise. Hepatite: Doença do fígado, normalmente causada por vírus. Hiper-volémia: Líquidos em excesso no sangue. Hipo-caliémia: Nível de potássio no sangue mais baixo que o normal. Hipotensão: Pressão sanguínea mais baixa que o normal. Hipotensores: Medicação utilizada para baixar a tensão arterial. Hipovolémia: Líquidos reduzidos no sangue. Diminuição do volume total de sangue circulante provocado por uma hemorragia. Histocompatibilidade: Processo pelo qual o dador de rim é identificado com um potencial receptor de acordo com o tipo de sangue e características dos tecidos. Inflamação: Zona ruborizada, quente e inchada provocada por infecção ou irritação. Infusão: Administração lenta e constante de medicação ou solução. Injectar: Empurrar um líquido para dentro de qualquer coisa. Insuficiência Renal Aguda ( IRA ): Súbita e severa diminuição da função renal, normalmente por um breve período de tempo, reversível. Insuficiência Renal Crónica ( IRC ): Destruição lenta dos tecidos normais do rim durante meses ou anos. Insuficiência Renal Crónica Terminal: Estado avançado da doença, necessita de diálise imediatamente. Intra dérmico ( ID ): Injecção dada imediatamente abaixo da pele, na derme. Intramuscular ( IM ): Injecção dada no músculo. Intravenoso ( IV ) Injecção dada directamente dentro da veia. Kilograma ( Kg ) Unidade métrica para medida de peso. Um litro de soro equivale a um Kilograma. Limpeza: Remoção de sujidade. Não desinfecta nem esteriliza. Utiliza-se geralmente água e sabão ou detergente. Linha arterial: Linha de sangue que transporta o sangue do organismo para o filtro. Linha de heparina: Uma extensão da linha arterial, após a bomba de sangue que conecta a uma seringa, por onde geralmente se administra a Heparina. Linhas de sangue: Linhas de sangue que transportam o sangue do paciente até ao filtro e do filtro novamente ao paciente. Linha de soro: Extensão curta de linha situada na linha arterial, no segmento pré-bomba. É usada para administrar soro fisiológico directamente no paciente durante a diálise. Local de punção do CEC: Peças vermelha ou azul localizadas junto às extremidades das linhas arterial e venosa, usadas para colher amostras de líquidos ou sangue do CEC e para administrar medicação. Mangueiras do banho: Mangueiras da máquina que transportam o dialisante para o filtro e o dialisado do filtro de novo para a máquina. Membrana: Camada fina, porosa e delicada de material. Em hemodiálise, a membrana do filtro permite a passagem da água e dos produtos tóxicos para o banho. Membrana semipermeável: Membrana ou fibra com poros microscópicos que permitem a passagem de pequenas partículas mas não passam as grandes. No filtro, a membrana separa o sangue do banho. Metabolismo: Processo do organismo de transformação da comida em energia e em novos tecidos. Mililitro ( ml ): Um milésimo do litro. Igual a centímetro cúbito ( cc ). Mineral: Substâncias inorgânicas no organismo, necessárias para a função normal do organismo mas prejudiciais em concentrações muito altas ou muito baixas. Por exemplo: cálcio e fósforo. Monitor: Um dispositivo electrónico da máquina que verifica e avisa possíveis problemas através de alarmes. Máquina. Monitor da pressão: Dispositivo que traduz a força ou pressão numa leitura numérica. Mucosa: Membrana que reveste as cavidades naturais como a boca, nariz, etc. Nefrectomia: Remoção cirúrgica do rim. Nefrologista: Médico especialista em doenças do rim. Nefrónio: Unidade funcional do rim que filtra os produtos tóxicos e água do sangue. Neuropatia: Lesão dos nervos. Nutrição: Processo do organismo que utiliza os alimentos para crescer e manter-se saudável. Obstrução: Algo que pára ou bloqueia, ocluído. Osmose: Movimento da água através duma membrana semipermeável, duma área de concentração de partículas baixa para uma área de concentração alta. Osmose inversa: Equipamento usado para produzir água pura, fazendo passar a água através dum filtro fino. Osteoporose: Perda excessiva de minerais do osso que resulta numa estrutura do osso pobre. Paratiróides: Glândulas pequenas localizadas junto à tiróide no pescoço. Estas glândulas segregam uma hormona que regula o metabolismo cálcio-fósforo. Peça de recirculação: Conexão usada para conectar a linha arterial e venosa. Permite fazer circular o sangue ou o soro, através das linhas e filtro sem estarem conectas ao paciente. Pericardite: Inflamação de uma das camadas (pericárdio) que envolve o coração. Peso ideal: Peso adequado para um indivíduo baseado na altura, idade e estatura. Peso seco: O ponto médio entre ter excesso de líquidos no corpo e estar desidratado. Plasma: Parte líquida do sangue. Potássio (K+): Mineral necessário ao organismo, principalmente para a contracção dos músculos, mas prejudicial quando está muito baixo ou muito alto. Pressão negativa: Em hemodiálise, é o método usado para remover líquidos do organismo criando uma sucção no compartimento de banho que aspira a água do compartimento de sangue para o banho através da membrana semipermeável. Pressão positiva: Forma de remover líquidos do sangue durante a diálise, aumentando a pressão dentro do compartimento de sangue do filtro, forçando a água a passar através da membrana semipermeável para o lado do banho. Pressão Sanguínea: Força que o sangue circulante faz nos vasos sanguíneos. Pressão Sistólica: Pressão exercida pelo coração quando se contrai. É o valor mais alto da pressão sanguínea que se ouve. Pressão Diastólica: Pressão existente quando o coração está em repouso entre as contracções. É o valor mais baixo da pressão sanguínea. Produtos tóxicos: Produto final do metabolismo celular como a creatinina, ureia, etc. Proteína: Nutriente constituído por aminoácidos, essencial usado para formar os tecidos do organismo. PTM: Pressão tansmembranar; as forças positivas e negativas no filtro, que determinam a ultrafiltração ( remoção de líquidos ). Pulso: Pulsar do sangue a correr através duma artéria que corresponde aos batimentos do coração. Quelante: Medicamento que se liga a uma substância. Por exemplo o cálcio do Carbonato de cálcio liga-se ao fósforo dos alimentos ao intestino, impedindo a sua absorção para o sangue, sendo assim eliminado nas fezes. Renal : Referente aos rins. Rim: Órgão que limpa o sangue dos produtos tóxicos e produz urina. Ajuda também a controlar outras funções do organismo como a produção de glóbulos vermelhos. Shock: Hipotensão extrema. Shunt: Ligação entre uma artéria e uma veia utilizando um tubo, usada antigamente como acesso para efectuar hemodiálise. Síndrome de Desequilíbrio: Uma condição que pode afectar pessoas muito urémicas que iniciam diálise, devido a uma remoção rápida de produtos tóxicos do sangue. Os sintomas de desequilíbrio podem ser cefaleias, náuseas e/ou vómitos e tonturas. Sódio ( Na+ ): Mineral encontrado no organismo. Ajuda a regular os fluidos no organismo. Está associado com a retenção de água e edemas. Soro fisiológico: Solução de água com sal que é compatível com o sangue - NaCl 0,9%. Soro sanguíneo: A porção limpa, do sangue separado, conseguida por aceleração do sangue numa centrifugadora. Plasma. Subcutânea ( SC ): Injecção dada no tecido adiposo (gordura) abaixo da pele. Técnica Asséptica: Procedimento estéril usado para prevenir a entrada de microorganismos no organismo (bactérias, etc.). Teste schiff: Teste que determina a presença de formaldeído (formol). Transducer: Linha na ampola de gotejo através da qual a máquina monitoriza e permite visualizar a pressão do sangue ao entrar na veia e permite subir ou baixar o nível do sangue na ampola de gotejo; tem um filtro pequeno que adapta no sensor da pressão venosa na máquina que o protege do retorno de líquidos. Transplante renal: Procedimento cirúrgico onde é retirado o rim dum dador (cadáver ou vivo) e colocado num receptor. Transfusão de sangue: Termo usado quando se recebe uma unidade de sangue. Tratamento de água: Processo de purificação da água para usar em diálise. Ultrafiltração: Remoção de fluidos. Ureia sérica: Quantidade de ureia no sangue. A ureia é o principal produto tóxico do metabolismo proteico. É normalmente excretado na urina. O doseamento da ureia no sangue é o principal indicador da função renal e da eficácia da diálise. Uremia: Subida prejudicial de ureia no sangue devido a insuficiência renal. Veia: Vaso sanguíneo que transporta o sangue para o coração. Xilocaína ( Lidocaína ): Anestesia local usada para reduzir a dor e o desconforto.
- Sobre a Diabetes - Algumas Noções e Conselhos
Diabetes Noções Básicas, Conselhos e Relação com a Insuficiência Renal O que é a Diabetes? Diz-se que uma pessoa tem diabetes quando o açúcar no sangue em jejum é superior a 140 (mg/dl). Durante o dia, a pessoa diabética tem um açúcar no sangue muito superior a isto, e por isso os diabéticos têm muita sede, urinam muito (quando o rim ainda funciona bem) e têm problemas de visão. Porque é que se fica diabético? A diabetes deve-se a uma falta de insulina produzida pelo pâncreas, ou a uma maior resistência dos tecidos do nosso corpo à acção da insulina, como acontece propensamente com a obesidade. Isto é assim porque é a insulina a responsável pela entrada do açúcar nas células. Ela controla os níveis de açúcar no sangue e previne que o açúcar (também chamado "glicose") se acumule excessivamente nos vasos. E o que é a Insulina? A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas em resposta ao nível de açúcar no sangue. Quando o pâncreas não consegue produzir insulina em quantidades suficientes, ou quando apesar de a produzir, as células não respondem devidamente a ela, uma pessoa fica com açúcar a mais no sangue, e portanto diabético. Quantos tipos de diabetes há? Há 2 tipos de diabetes. A Diabetes Insulino-dependente (também chamada Diabetes tipo 1), ou seja aquela que precisa de insulina para se controlar porque o pancreas não produz praticamente insulina, e a chamada Diabetes do adulto (também chamada Diabetes tipo 2), que aparece mais frequentemente apenas durante o período adulto, e que apesar de ainda haver produção insulina ela é insuficiente. Estas pessoas podem tomar insulina ou outra medicação que ajuda a aumentar a secreção de insulina. O açúcar no sangue é prejudicial? O açúcar está muito alto no sangue, é. (assim como o açúcar demasiado baixo) Nesse caso a pessoa começa a desenvolver lesões provocadas por isso, em quase todos os orgãos. Os primeiros a sofrer as consequências são os olhos, os rins, o coração e os vasos sanguíneos. A diabetes é a principal causa de cegueira e de insuficiência renal crónica. O que é que o diabético deve fazer? Os diabéticos devem seguir as indicações do seu médico. O importante é manter uma vida normal e um perfeito controle sobre o seu açúcar. Para isso é preciso uma dieta sem açúcares e se se for obeso, uma dieta para emagrecimento. O objetivo é sempre o mesmo, manter o açúcar no sangue o mais normal possível. Para além disto, os diabéticos devem ser vistos regularmente por um oftalmologista para tratar cedo as lesões dos olhos, afim de evitar a cegueira. O que se passa com os diabéticos que iniciam diálise? Muitos diabéticos ao iniciar diálise deixam de necessitar de insulina ou então necessitam de menores doses de insulina para controlar o seu açúcar no sangue. Isto acontece porque o rim tem uma função importante na degradação da insulina, e esta função está comprometida na Insuficiência Renal, fazendo com que a insulina presente tenha um efeito diferente do normal e mais prolongado. Para isso o seu médico irá fornecendo-lhe conselhos e orientações de como fazê-lo. Que cuidados é que é preciso ter com a Insulina? A Insulina ao ser administrada vai provocar uma queda do açúcar em excesso no sangue. É esse o objetivo. Por isso, se uma pessoa comer menos que o costume, ou fizer mais exercício que o costume pode acontecer que o açúcar desça mais que seria ideal, e a pessoa diabética fica com o açúcar demasiado baixo. Isto chama-se hipoglicemia (em oposição à hiperglicemia) e pode resultar em sintomas graves. Daí ser muito importante compreender como estes mecanismos funcionam. O que é então a hipoglicemia? A hipoglicemia é um açúcar no sangue geralmente inferior a 50 mg/dl. Quais são os sintomas de hipoglicemia? Em geral a hipoglicemia começa por dar sudação (suores), tremores, nervosismo, palpitações, palidez e pesadelos durante o sono. Se continuar sem ser tratada, aparecem dores de cabeça, vertigens, confusão mental, perda de memória, perturbações na visão, sonolência, podendo chegar-se a convulsões e perda de consciência. O que é que se deve fazer no caso de hipoglicemia? Quando se aperceber que está a ficar com hipoglicemia deve meter um pacote de açúcar na boca ou engolir com um pouco de água. Se isto não chegar deve repetir a dose. Após se sentir melhor, deve ingerir um pouco de comida, como por exemplo uma sandes. Após isto deve logo que possível contactar o Centro de Diálise ou o seu médico, para tentar saber porque é que tal aconteceu, e tomar atitudes para prevenir novos episódios. Como se pode prevenir as reações de hipoglicemia? A melhor maneira de evitar a hipoglicemia é saber como ela aparece. Os principais motivos são: - ela aparece porque tomou Insulina a mais (e esta precisa de ser ajustada junto com o seu médico), - ou porque comeu a menos, - ou então porque gastou açúcar a mais, como pode acontecer com a prática de exercício físico desadequada. É por isso preciso: Fazer o seu esquema normal de insulina, dieta e exercício; Nunca deixe de tomar as suas refeições habituais, e faça pequenos lanches entre as principais refeições e antes de se deitar conforme as indicações do seu médico; Saber quais são os sintomas de hipoglicemia, de modo a combatê-la logo desde o início; Traga sempre consigo algo de doce, para puder ingerir em caso de necessidade; Contactar o seu médico ou Centro de Diálise. Como posso ajudar a melhorar a minha diabetes? Faça os registos da sua glicemia de manhã e antes do jantar, e faça o registo num livro que pode adquirir no Centro de Saúde. Registe a dose de insulina que administra e quando. Registe os episódios de hipoglicemia. Mostre os seus registos regularmente ao seu médico e siga as instruções recomendadas. Se possível aprenda a adaptar a dose de insulina às necessidades diárias, coisa que poderá fazer aprendendo com o seu Médico e Enfermeira.
- Sobre a Hepatite B e a Hepatite C
A palavra "hepatite" vem da união do prefixo grego hepat- (que significa "fígado") com o sufixo -ite (que significa inflamação). Trata-se portanto de uma inflamação do fígado. Existem várias causas para esta patologia, sendo a principal os vírus da hepatite. Outras causas são : o uso excessivo de bebidas alcoólicas; algumas toxinas; doenças autoimunes; e excesso de gordura no fígado. Dentro dos vírus da hepatite temos os vírus da Hepatite A, B, C, D e E. O tratamento para cada causa diferente terá também uma solução diferente, seja viral ou não viral. Leia em baixo para saber mais sobre a Hepatite B e C e perceber porque são relevantes para o Insuficiente Renal. A Hepatite B O que é a Hepatite B ? A hepatite B é uma doença provocada por um vírus ( o vírus da hepatite B ) que ataca um orgão vital - o fígado. Em muitos casos os indivíduos infectados conseguem através dos seus meios de defesa curar a doença, ficando depois imunizados. Em outros casos, não se consegue eliminar o vírus do corpo ficando a pessoa portadora do vírus sem sentir qualquer sintoma ou prejuízo no organismo. Neste caso, chamado Hepatite Crónica, o vírus pode lentamente ao longo dos anos provocar alterações no fígado e este pode evoluir para cirrose e doença oncológica do fígado. Como se trata a Hepatite B ? Até ao momento não existe um tratamento especifico para a Hepatite B. Muitos doentes tem sido tratados com uma droga conhecida por Interferon que tem dado bons resultados em cerca de metade dos doentes infectados. Alguns doentes depois de melhorarem e pararem o tratamento, recaem. É no entanto o único tratamento disponível. Como se transmite o vírus da Hepatite B ? O vírus da hepatite transmite-se de pessoa a pessoa através do contacto com líquidos do organismo que estejam infectados. O mais significativo é o sangue, mas pode ser através da saliva, suor, lágrimas, secreções genitais, etc. A Hepatite B é portanto considerada uma doença sexualmente transmissível, o que torna o risco de contrair aumenta com o número de parceiros sexuais. E uma mulher grávida pode também transmitir a infecção ao filho no momento do parto. O vírus consegue sobreviver durante muito tempo quando exposto à luz e ao ar, e é resistente a muitos desinfectantes. Quais são os sintomas da Hepatite ? Os primeiros sintomas da hepatite são parecidos com os de uma gripe: febre, cansaço, fraqueza, dores de cabeça e de barriga. Alguns dias depois a pele e a parte branca dos olhos poderão ficar amarelos ( icterícia ). Em algumas pessoas os sintomas são tão ligeiros que elas não chegam a dar conta da sua existência. Mais tarde, quando fazem umas análises estas pessoas descobrem que já foram infectadas pelo vírus. Como se pode prevenir a doença ? A melhor maneira é a vacina para a Hepatite B. Os efeitos secundários da vacina são ligeiros. A protecção total requer várias doses de vacina, e deve ser seguido pelo médico assistente. Nos insuficientes renais em diálise a vacinação pode requerer mais doses que no indivíduo normal porque o insuficiente renal em diálise tem uma menor resposta às vacinas. Mesmo com várias doses há insuficientes renais que não conseguem ficar imunizados (vacinados). Quem se deve vacinar ? Devem-se vacinar os profissionais de saúde, os insuficientes renais e os recém-nascidos de mães portadoras de vírus, os drogados, os homossexuais, os familiares com contacto direto de indivíduo infectado. Brevemente a vacina contra a Hepatite B irá estar disponível para todas as pessoas. Qualquer pessoa pode contrair a Hepatite B ? Sim. Mais a mais, a Hepatite B é uma doença sexualmente transmissível, o que torna o risco de contrair aumenta com o número de parceiros sexuais. Cuidados a ter para evitar a propagação da Hepatite B ? No caso da pessoa com Hepatite B são necessárias precauções quando se trata de sangue e líquidos corporais. Aqueles que com ele convivem devem ter as seguintes precauções: · estar vacinada, ou vacinar-se · evitar contaminação com sangue da pessoa infetada em ferimentos abertos e em mucosas como a boca e nariz · evitar ter relações sexuais enquanto as análises não estiverem normais e o parceiro não estiver protegido · não utilizar ou manusear agulhas ou outro material exposto ao sangue ou líquidos corporais · rotulagem cuidada das amostras de sangue das pessoas infectadas O que não é preciso fazer ? · Não é preciso separar talheres e louça do indivíduo com Hepatite B · Não é necessário separar roupas e objectos desde que não estejam sujos com sangue · Não é preciso isolar a pessoa com Hepatite B dos outros elementos da família · Não é necessário dieta especial A Hepatite não é razão para separar ninguém do acolhimento familiar. Desde que se sigam as indicações acima referidas o risco de hepatite para quem convive com uma pessoa infectada são mínimas. O insuficiente renal com hepatite não deve ser marginalizado. Ele necessita da compreensão, apoio e da educação sobre o assunto de toda a família. A Hepatite C As medidas a seguir quanto à Hepatite C são as mesmas que para a Hepatite B. No entanto não há de momento nenhuma vacina para ela. Ao contrário da Hepatite B, os parceiros sexuais de uma pessoa infectada com Hepatite C raramente contraem a doença, e também é muito raro a transmissão de mãe para filho. Os principais factores de risco para a Hepatite C são as transfusões e o tempo em diálise, isto é, quanto mais anos uma pessoa estiver em diálise maior é a probabilidade de contrair Hepatite C. Importante para a pessoa com Hepatite A pessoa com hepatite deve saber detectar alterações que poderão indicar agravamento do seu estado. Quando estiver com náuseas, fadiga crescente, perdas de sangue sem razão evidente, agravamento do mal-estar e retenção de líquidos (aumento do volume da barriga, pernas inchadas, etc) fale com o seu médico. A Hepatite e o Transplante Renal Se uma pessoa tem Hepatite B ou C, e quiser ser transplantada deve ser observada na consulta de Hepatite no Hospital. Após alguns exames que poderão incluir Biópsia do fígado, o seu médico irá dizer-lhe quais os riscos que corre ao fazer o transplante. Com esta informação será mais fácil tomar uma decisão. CentroDial
- "Quanto Maior For o Sacrifício Mais Belo Deve Ser o Sorriso"
Quanto Maior For o Sacrifício Mais Belo Deve Ser o Sorriso por Jacinta Brandão " Caros leitores, o meu nome é Jacinta e venho transmitir uma mensagem de força relatando em breves linhas, um pequeno resumo da minha ainda curta vida! Era ainda uma criança, apenas de dez aninhos, quando numa consulta de rotina, em virtude da queixa por parte da minha mãe relativamente à minha sede constante, fui surpreendida com uma série de análises e exames. Perante os resultados informaram-me, de mansinho, da suspeita da existência de uma Insuficiência Re nal da qual não apresentava sintomas de alerta como maior parte das doenças apresentam. Num ápice, vi-me envolvida num meio totalmente alheio ao que habitualmente vivia em redor das minhas brincadeiras, obrigada a visitas regulares ao Hospital bem como a toma diária de medicação. Apesar de esclarecida relativamente a todo o processo inerente à Insuficiência Renal a verdade é que não passava de uma simples criança que vivia num imaginário em que o mundo era apenas um lugar para brincar... O tempo foi passando e aos quinze anos tive a percepção que a realidade era bem diferente! Relembro a voz trémula de minha mãe ao informar-me que tinha sido contactada pelo Nefrologista que, devido a alterações significativas nas minhas análises de sangue, teria de me dirigir nesse mesmo dia, ao Centro de Hemodiálise de São João da Madeira... Longe de adivinhar a transformação que a minha vida iria sofrer, iniciei uma nova etapa da minha vida junto de uma equipa de pessoas que passaram a ser também a minha família, um bálsamo para a minha dor. Partilhei momentos de alegria e tristeza com um grupo de profissionais dotados de um enorme coração, carinho e simpatia cuja paciência é inesgotável! Aprendi a adaptar essa nova realidade à minha rotina diária e o meu agradecimento é geral no que toca à compreensão por parte de todos os professors que tiveram conhecimento não da minha doença mas sim da minha Insuficiência Renal. Apesar de muito jovem sempre tive bem presente que a idea de estarmos doentes parte de nós mesmos e não no diagnóstico- que nos apresentam e nunca permiti que este "pequeno problema" me condicionasse totalmente a vida. No dia 16 de Abril de 2003 uma nova porta se abriu, uma oportunidade para viver com mais intensidade. Hoje tenho 23 anos e completo no dia 16 de Abril, sete anos de um dos dias mais felizes da minha vida! O dia do meu transplante renal! Desde então que vivo o dia-a dia com uma força redobrada e partilho essa alegria com as mesmas pessoas com quem partilhei uma das tapas mais difíceis da minha vida! Trabalho no Centro de Hemodiálise que outrora cuidava de mime do qual agora faço parte acarinhando todos aqueles que vivem a realidade que também eu vivi. Sou uma pessoa muito activa no meu dia-a-dia e redescobri o gosto pelo desporto, pela convivência com as pessoas que me rodeiam e em particular descobri a capacidade de vivenciar sentiments incríveis que me fazem acordar dia após dia com uma alegria redobrada. Há uma frase que me foi dita em tempo de diálise, pela minha Directora de turma, que me marcou e me fez ganhar forças e que aproveito para deixar como forma de reflexão para todos aqueles que se sentem perdidos tal como eu me senti: "Quanto maior for o sacrifico mais belo deve ser o sorriso!" A vida é demasiado curta para a complicarmos ainda mais ! Como qualquer ser humano temos momentos de maior fragilidade em que nos sentimos derrubados pelos obstáculos que encontramos na nossa caminhada... São nesses mesmos momentos que devemos valorizar o que nos rodeia, a família, os amigos e todos aqueles que amamos com muita intensidade! Vivo neste momento um sentimento que me faz sorrir a todas as horas, minutos e segundos e, é a esse sentimento que me agarro e luto dia após dia para proporcionar a essa pessoa, a felicidade com que ela me presenteia! Aproveito também para deixar um muito obrigado a todas as pessoas que sempre me acompanharam e acompanham em todos os momentos, à minha querida mãe que foi e é um anjo na minha vida, e em particular, a ti Bruno por me fazeres sorrir apesar de todas as contrariedades! O meu amor por ti é infinito! " Jacinta Brandão











