Bio Impedância - O Que É - Para Que Serve - Como Funciona
- Centrodial

- 18 de jan. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 31 de jan. de 2023

Porque se chama "BIA" à Avaliação
de Bio-Impedância ?
"BIA" é simplesmente o acrónimo para o termo em inglês "Bio-Impedance Analysis", que em português significa "Análise de Bio-Impedância".
O Que é ? E Qual é a Utilidade da Bio-Impedância ?
Este dispositivo (e existem vários tipos) tem a função de avaliar a composição corporal do paciente, isto é, a composição dos tecidos que compões o corpo e a composição dos líquidos que constituem o corpo.
Especificamente permite obter informação do estado de hidratação (hipo- ou hiper-hidratação) e dessa forma auxiliar nos ajustes do peso seco, respetivamente para cima ou para baixo, resultando consequentemente em ultra-filtrações melhor ajustadas e mais precisas.
Esta avaliação deve fazer parte da avaliação médica global e não deve ser utilizada como informação peremptória no ajuste do peso seco. Esta decisão médica tem em conta não só a bio-impedância como também o perfil de tensões arteriais e toda a história clínica do paciente.

Como Funciona a Bio-Impedância ?
A Bio-Impedância tem sido estudada e melhorada para contextos clínicos desde a década de 60, apesar da sua história científica e estudos sobre as características elétricas do tecidos orgânicos datarem já desde 1871.
É a junção das palavras “biologia” com “impedância”. Sendo que Impedância é uma medida física que quantifica a resposta dos compartimentos corporais à passagem de uma corrente elétrica fraca pelo corpo. Basicamente, a máquina avalia a capacidade dos vários tecidos de 'impedir' ou de oferecer resistência à corrente elétrica.
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A Bio-Impedância quantifica a magnitude da oposição dos compartimentos biológicos do corpo a uma corrente elétrica alternada e a partir das diferentes oposições dos diferentes tecidos do corpo (e auxiliada por equações preditivas), estima e quantifica a composição corporal do avaliado informando sobre as quantidades e distribuições de massa magra, massa gorda, e massas líquidas.
Ao longo do tempo e de várias avaliações estes resultados podem ser comparados e ilustrados em forma de gráficos para aferir a evolução destas quantificações, ie. da composição corporal. Pode-se aferir se o avaliado está perdendo/mantendo/ganhando peso, qual esse tipo de peso (tecidual gordo/tecidual magro/líquido), qual a relação dessas variáveis com a diálise e com os sintomas; etc.
O que é Peso Seco e porque é importante que este esteja o melhor possível bem ajustado ?
O Peso Seco é o peso de uma pessoa sem líquidos nem em excesso nem em défice.
Este peso seco é normalmente regulado pelos rins saudáveis através da excreção ou retenção de líquidos ao longo do dia, consoante a nossa dieta e outros fatores.
Na Insuficiência Renal este valor é ajustado através da máquina de diálise e sua prescrição de diálise.
O valor do peso é importante pois o excesso ou o défice de líquidos não é saudável e provoca sintomas.
No caso do excesso de líquidos :
- podemos acumular edemas nos membros inferiores e outras zonas do corpo; dá-se
- desregular as tensões arteriais, elevando-as
- diluir componentes essenciais da circulação sanguínea
- exigir diálises mais intensas e mais ofensivas para o corpo (podendo paradoxalmente provocar hipo-tensões)
- falta de ar, tosse durante a noite
- entre outros problemas
No caso do défice de líquidos (também chamado estado de "desidratação") :
- podemos sentir fraqueza, tonturas, pele seca
- pode induzir a sede exagerada
- aumento de risco de hipotensão (tensão arterial baixa) e desmaios
Por isso é também importante informar a equipa quando tiver experienciando vómitos, diarréias, transpiração excessiva, febre e afins, pois estas variáveis influenciam o estado de hidratação.
Passos De Utilização Do BCM :
BCM - Body Composition Monitor (Fresenius)

Confirmar a posição do paciente: Deitado horizontalmente, braços repousados na maca e afastados do tronco, pernas repousadas e afastadas uma da outra
Colocar os eléctrodos na mão e pé (descalços) do lado oposto ao da fístula/catéter.
Confirmar a ausência de objetos metálicos nos membros do lado da medição (pulseiras, relógios, telemóvel no bolso, etc), pois interferem com a acurácia dos resultados.
Colocar 4 elétrodos, 2 na mão e 2 no pé (cada para a uma distância de cerca de 3 cm). Deixar a cola fixar bem à pele durante 2 minutos (enquanto isso, fazer o passo 5)
Inserir os dados do paciente no BCM: peso atual, idade, altura, tensões médias/típicas do paciente ("média de 2 semanas"). Também mas não obrigatoriamente pode inserir o volume de ultrafiltração.
Como mostra a figura em cima, ligar o cabo vermelho ao elétrodo mais distalmente e o cabo preto ao mais proximal.
Informar o paciente para se manter imóvel durante o próximo minuto, na posição definida no ponto 1, relaxado e sem falar. E confirmar que os cabos não estão entrelaçados, que não estão a tocar no chão, nem próximos de equipamentos eletrónicos como telemóveis e afins.
Clicar em iniciar avaliação (que não deverá demorar mais que poucos minutos)
Obter resultado e fazer leitura/interpretação.

Notas adicionais e fatores que influenciam a medição:
A ingestão de alimentos pouco antes da medição terá a seguinte influência na medição: contabilizará no peso, mas estando ainda na secção do estômago não irá ser contabilizado na medição da bio-impedância, fazendo com que o resultado sub-estime alguns parâmetros intra- e extracelulares e sobre-estime o valores de massa gorda. Portanto é aconselhável não ingerir antes da avaliação
Atividade física, temperaturas extremas e febre alterarão a acurácia do resultado por alterações na circulação
A medição com precisão do peso e da altura são muito importantes, pois variações pequenas podem ter influências grandes no resultado final (principalmente nos valores de massa gorda e massa magra)
As medições devem ser feitas sempre que possível em à mesma hora das anteriores e das futuras. É importante realizar as bio-impedâncias sempre nas mesmas condições para que as comparações sejam, comparáveis
. Considerações do Manual BCM Fresenius:
"Se um Paciente tiver um pacemaker unipolar e for totalmente dependente deste dispositivo devido a uma descompensação cardíaca grave, verifique sempre o limiar de sensibilidade do pacemaker antes de realizar a avaliação. A avaliação não deve ser feita num doente com um pacemaker de limiar de sensibilidade muito baixo. ; As avaliações precisas de pacientes com implantes metálicos não podem ser garantidas. ; As avaliações para Pacientes amputados só são permitidas onde uma avaliação mão-a-mão, mão-a-pé ou pé-a-pé pode ser realizada. ; Pacientes de diálise peritoneal podem ser avaliados com uma cavidade peritoneal cheia ou vazia. O peso a introduzir no BCM – Body Composition Monitor é o peso do paciente com a cavidade peritoneal vazia. ; um cateter venoso central pode constituir uma conexão eletricamente condutora acessível externamente ao coração (e um ponto de entrada para micróbios), o que pode causar um risco para o Paciente quando o BCM – Body Composition Monitor é usado. Nunca avalie pacientes com um cateter venoso central enquanto estiverem conectados ao equipamento de tratamento."

Anexos:






