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  • Gota e Ácido Úrico - Recomendações Alimentares

    Notas introdutórias : - a Gota caracteriza-se pela acumulação de cristais de ácido úrico nas articulações - o rim tem um papel fundamental na regulação e excreção destes compostos - a Insuficiência Renal está portanto intimamente associada à Gota - hiperuricemia não implica necessariamente sintomatologia de Gota A Gota e a Insuficiência Renal A gota é uma das doenças mais antigas reconhecidas pela medicina, reconhecida pelo egípcios e pelos gregos antigos há milhares de anos, e a certa altura designada a "Doença dos ricos" por esta estar associada aos excessos alimentares, à obesidade e ao álcool, e ao melhoramento dos sintomas com a correção desses hábitos/fatores. Faz parte do grupo de doenças reumáticas artríticas e afeta maioritariamente os homens e pessoas acima dos 65 anos (rácio 4 : 1). A incidência aumenta também com a menopausa. Tem-se também observado uma tendência de aumento do número de casos ao longo do tempo associado ao estilo de vida ocidental e síndrome metabólico (obesidade visceral, hipertensão, resistência à insulina, hiperlipidemia). Mais especificamente, 60 % das pessoas com gota tem síndrome metabólico. A gota está associada a dificuldades na mobilidade, mortalidade (esp. cardiovascular) e incapacidade funcional (AVDs) e qualidade de vida reduzida. A gota é caracterizada episódios de dor aguda e de tempo limitado, mas que "ataca" de tempos em tempos. Por vezes as dores são debilitantes do di-a-dia normal. Biologicamente caracteriza-se por depósitos de cristais de urato monosódio (ác. úrico) nas articulações e nos tecidos moles, e que são inflamatórios e imunogénicos. A dor pode advir também da pressão mecânica destes cristais nas articulações. Isto geralmente causa dor severa localizada nas articulações (onde se depositam os cristais), sendo os sítios mais comuns o dedo grande do pé (hallux), os pulsos, os dedos, o cotovelo, o tornozelo, o joelho e o helix da orelha. O tratamento não atempado pode agravar o prognóstico e evolução da patologia para artrite crónica e erosão das articulações afetadas. Mecanismos etiológicos A quantidade de ácido úrico no organismo é definida pelo balanço entre dois principais processos: - a Produção de ácido úrico (endógena/natural e exógena/alimentar), e - a Excreção de ácido úrico. A produção advém em ~ 66 % da degradação de purinas do metabolismo natural endógeno e em ~ 33 % da ingestão alimentar de purinas. Naturalmente portanto o corpo fabrica quantidades saudáveis de ácido úrico e este é excretado na urina. Visto que a produção varia pouco e visto que cerca de ~ 70 % do ácido úrico produzido diariamente é excretado via rins e urina, a maioria dos casos de gota tem a sua génese no ineficiente funcionamento renal. Dessa forma, a insuficiência renal crónica está intimamente associada à patologia da gota, devido à comprometida excreção deste ácidos, favorecendo a acumulação de excesso no corpo e deposição nas articulações. De notar que existe aqui uma relação bidirecional. A insuficiência renal pode agravar a gota, e também a gota pode agravar a insuficiência renal. Por exemplo algumas medicações usadas para tratar a gota podem ser tóxicas para o rim, e algumas medicações usadas para tratar a insuficiência renal (beta-bloqueadores e diuréticos/desidratação) podem agravar a gota. Uma avaliação médica rigorosa da situação específica de cada doente é portanto muito importante. Sabe-se que apesar do ácido úrico ter um papel crucial na patologia da gota, ele não é o fator causador. Cerca de 1 em 10 insuficientes renais têm gota, sendo que > 50 % dos insuficientes renais > estadio 4 têm ácido úrico elevado (> 6.8 mg/dl nos homens e > 6.0 mg/dl nas mulheres). Pode-se dizer que a hiperuricemia é um fator amplificador da gota. Claro está que a hemodiálise é uma peça fundamental no tratamento das pessoas com gota dos insuficientes renais. Tratamento médico : Colchicina e AINE’s no curto prazo para aliviar a dor ; Também para o alívio da dor: Antagonistas IL-1 (Anakinra) e Recetores IL-1 solúveis (Rinolacept) ; Uricostáticos, para redução síntese do ácido úrico a partir das purinas; inibidores da xantina oxidase (Allopurinol/Zyloprim e Febuxostat). Este é o tratamento preferencial ; Uricosúricos, que aumentam excreção renal bloqueando reabsorção ou aumentando excreção direta inibindo URAT1 (Sulfinpyrazona, Probenecid, Benzbromarone) ; Pegloticase, uricase recombinante, reduz ácido úrico convertendo-o em alantoína, molécula mais solúvel e mais excretável na urina. Recomendações Alimentares para a Gota em contexto da Insuficiência Renal : Evitar - excesso de carne/peixe - marisco - álcool (especialmente cerveja) - açúcares/doces/doçuras - refrigerantes - excesso de fruta. < 2-3 frutas por dia Evitar alimentos ricos em purinas: - Anchovas - Orgãos animais (miúdos, moelas, paté, fígado, miolos, etc) - Carnes processadas (fiambres, presuntos, charcutarias, etc) - Sardinhas; Cavala; Mexilhão - Ovas/caviar; Perdiz Preferir: - fontes proteicas vegetais, como feijão, ervilhas, grão, lentilhas, etc - Lacticínios (atendendo às suas análises do fósforo) - Alimentos ricos em vitamina C, como pimentos, laranja, limão, kiwis - Café - Cerejas - Vegetais vários (cozidos em duas águas) Optimizar a composição corporal com vista anti-síndrome metabólico. Ou seja: - reduzir peso se estiver em excesso de peso; - reduzir perímetro da cinta excessivo; - corrigir dislipidemia; - fazer exercício físico regular dentro das suas capacidades individuais. CentroDial Refs: - Krause's Food and The Nutrition Care Process 14th Ed. ELSEVIER 2017 - https://www.nature.com/articles/s41584-021-00657-4 - https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-and-diagnosis-of-gout?search=gout&source=search_result&selectedTitle=2~150&usage_type=default&display_rank=2 - https://www.kidneyfund.org/living-kidney-disease/health-problems-caused-kidney-disease/gout/gout-and-kidney-disease#:~:text=As%20the%20urate%20crystals%20pass,to%20kidney%20disease%20over%20time.

  • Fístula : Perguntas & Respostas Rápidas

    A FÍSTULA O que deve saber ? O que é a Fístula ? A Fístula é a ligação de uma artéria a uma veia que é feita geralmente no punho ou na prega do cotovelo. A fístula é a maneira mais segura e duradoura de se ter acesso ao sangue do doente para ser possível realizar diálise. As artérias são demasiado profundas e sensíveis para poderem ser utilizadas para as frequentes punções necessárias à diálise. Daí a necessidade deste método de realização de fístula. Para que serve a Fístula? A fístula vai permitir que a veia que ficou unida a uma artéria tenha um maior fluxo de sangue. Com o tempo ela vai engrossar e dilatar permitindo as repetidas punções necessárias para fazer diálise. Quando se deve fazer uma Fístula? A Fístula deve ser feita, sempre que possível, alguns meses antes de entrar em diálise. Quanto mais tempo uma fístula estiver a amadurecer, melhor e durante mais tempo ela funcionará. Quanto tempo dura uma Fístula? Uma Fístula pode durar muitos anos. A sua duração depende de muitos factores, sendo os mais importantes: o tempo que esteve a amadurecer, a idade do doente, existência de diabetes ou doença vascular, obesidade, cuidados com a fístula por parte do doente e da equipe de diálise. Cerca de 50% das fístulas estão a funcionar depois de 5 anos. O que é frémito da Fístula? O frémito da fístula é sensação que se tem quando se coloca os dedos da mão ao de leve sobre a zona da fistula. Deve habituar-se a sentir este frémito e comunicar qualquer alteração na mesma. Uma diminuição do frémito pode ser um sinal de que a sua oclusão está eminente, e é então necessário fazer alguma coisa para o evitar. Que cuidados a ter com a Fístula? É preciso cuidado com as quedas de tensão arterial. A hipotensão quando marcada reduz acentuadamente o fluxo da fístula, facilitando a sua obstrução. Em caso de hipotensão (numa situação de diarreia, vómitos, resposta exagerada a hipotensores, etc) a pessoa deve deitar-se, elevar as pernas (ação esta muito importante) e vigiar o frémito da fístula. Depois, deve procurar saber porque teve hipotensão e tentar evitar novas hipotensões. No dia-a-dia é preciso cuidado para não lesar a fístula durante a realização de trabalhos pesados ou potencialmente traumáticos. Em caso de lesão da fístula com hemorragia, deve imediatamente tentar estancar a hemorragia com um lenço e procurar atendimento hospitalar. Uma hemorragia pela fístula pode levar a grande perda de sangue em poucos minutos (0.5 a 1 litro por minuto). Qual o local para picada? A equipa de diálise procura saber para cada Insuficiente Renal e para cada fístula qual a zona da fístula que garante uma melhor diálise. Em geral, as pessoas preferem ser picadas sempre no mesmo local porque isso lhe causa menos dor. No entanto, o local de picada deve ser mudado frequentemente, de modo a evitar o aparecimento de calo na veia. Este calo é uma zona que dificulta o estancamento de sangue no fim da diálise, e por outro lado, torna a parede da veia mais frágil facilitando o aparecimento de dilatações (aneurismas) que podem obrigar mais tarde à laqueação da fístula para sua correcção. Como preparar o local da fístula para diálise? A higiene com o local da fístula antes da diálise é muito importante. Através da fístula tem-se acesso direto ao sangue, e por isso qualquer descuido pode levar a febre, infecção e trombose da fístula. Estas infecções muitas vezes são graves e obrigam a hospitalização. O braço da fístula deve estar sempre bem lavado. Depois disto, a zona de acesso é desinfectada com Betadine (ou Álcool, para os que são alérgicos ao Betadine). A gaze com o desinfectante deve passar por toda a zona em movimentos circulares de dentro para fora. Após a desinfecção o braço deve aguardar cerca de 5 minutos (só no caso do Betadine) afim do desinfectante fazer efeito. Durante este tempo o doente deve evitar tocar ou respirar sobre a zona do braço. Se o fizer deve voltar a desinfectar a zona. Ser exigente com os cuidados no início da diálise é um hábito que só tem benefícios. Como fazer a Hemóstase? A hemóstase no fim da diálise dura em média 5 a 10 minutos. Durante este tempo uma compressa esterilizada é utilizada para se fazer uma ligeira compressão sobre o local da picada. Esta compressão deve ser apenas a necessária para impedir derramamento de sangue. Se for exagerada pode levar a trombose da fístula. Não se deve estar sempre a levantar a compressa para ver se já não sai sangue. Isto pode conspurcar o local de picada. A equipa de diálise ensinar-lo-á a maneira correcta de preparar, pegar e usar a compressa, e modo de fazer a hemóstase.

  • Conselhos para quando for Comer Fora

    Vai jantar ou almoçar fora? Tem um convite para um evento familiar ou festivo que quer muito aceitar e estar presente? Ao contrário do que se possa pensar, a Insuficiência Renal não torna este tipo de ocasiões impeditivas. Apenas deve ter alguns cuidados de moderação na alimentação. 👍 NESTAS OCASIÕES AS SUAS PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES DEVERÃO SER : - precaver da ingestão excessiva de potássio (que pode causar sintomas durante o evento) - e evitar o ganho de peso excessivo 8 DICAS DA CENTRODIAL Para fazer as escolhas mais acertadas quando for comer fora ! 1. Opte pelos Cozidos & Grelhados São os melhores amigos na dieta do dia-a-dia, e são-no também nestas ocasiões. Nas idas a comer fora, opte por cozidos ou grelhados. Nos restaurantes há sempre opções muitíssimo saborosas que usam este tipo de confeções e normalmente são menos salgadas e causam menos enfartamento. São por regra também as melhores opções no que toca às quantidades de fósforo e de potássio. Evite os fritos. 2. Evite as Entradas Salgadas Tenha cuidado com as entradas que são servidas antes da refeição principal ! Normalmente estas são à base de salgados e têm portanto muito sal que lhe poderão causar excesso de sede. Evite os rissóis/croquetes/presuntos/pimentos/moelas, etc. Prefira o pão, a manteiga, o queijo fresco, um pouco de salada. 3. Gestão Alimentar Reduza a ingestão dietética durante o resto do dia, antes e depois do evento. Se reduzir a quantidade de alimentos, de potássio, de fósforo, e de ganho de peso nas refeições antes e/ou depois do evento, é possível manter igual a quantidade dessas variáveis ingerida. Se for preciso pode aplicar essa gestão também à ingestão alimentar no dia anterior e/ou no dia posterior. Po exemplo: Imaginemos que normalmente você acumula 1,500 kg por dia com a sua dieta normal. 500 g ao pequeno-almoço + 500g ao almoço + 500 g ao jantar. Sabendo que o jantar especial vai pesar mais um pouco (digamos, 800 g) você pode compensar fazendo um pequeno almoço e um almoço de 350g cada, e dessa forma o ganho de peso desse dia será mais ou menos igual (1,500 kg) e sem grandes "danos" de edemas e sobrecarga de peso corporal. A simples balança de casa de banho é o seu melhor aliado na gestão diária do ganho de peso e ainda mais nestas ocasiões. No dia seguinte pese-se saber quais os "danos" no ganho de peso causados pelo evento. E se for preciso pode compensar mais um pouco nas refeições desse dia. (se tiver tido cuidado você ficará surpreendido pela positiva quando notar um ganho de peso não tão grande quanto pensava!) Se for diabético, não se esqueça de monitorizar a glicemia antes e depois da refeição ! 4. Não seja forreta com a sua saúde ! Se for comer fora, mais vale comer comida de qualidade! Um bom bife, um bom peixe ou um bom prato vegetariano. Evite as comidas fast-food e comidas processadas. 5. Sumos & Refrigerantes 🥴 Evite igualmente as bebidas e refrigerantes baratos e comerciais e açucarados! Prefira sempre uma boa água ou um copo de um bom vinho. 6. Captadores de Fósforo e de Potássio Não se esqueça de levar a medicação do fósforo e/ou a resina do potássio e tomar consoante a prescrição e aconselhamento do médico. 7. Regra de Polegar: " Quando o Rei Faz Anos " Desfrute e não se proíba de pecar "com cabeça". Um pouco de gelado ou de bolo, uma vez por outra não faz mal a ninguém. "Quando o Rei faz anos" , costuma-se dizer. É uma boa regra nutricional. Lembre-se também que o verbo desfrutar se prolonga após o evento e inclui a satisfação e a tranquilidade de consciência no final do dia de que não exagerou e de que cumpriu quer o objetivo de desfrutar quer o objetivo de não pecar pelo excesso. 8. Honestidade Não tenha pudor de questionar/telefonar antecipadamente o restaurante por telefone a saber se é possível acederem ao seu pedido de redução de sal. Diga que tem essa indicação médica. Por regra os restaurantes tentam sempre ir ao encontro de satisfazer as exigências dos clientes (eles querem que você volte!) e nestes casos mais especiais o restaurante ganha respeito pela sua transparência e sinceridade. Bom apetite CentroDial

  • Sexualidade e a Insuficiência Renal

    A Insuficiência Renal pode afectar muitos aspectos da vida, incluindo a sexualidade. Uma vez que falar de sexo pode ser difícil, é o objetivo deste artigo abordar este tema importante como qualquer outro, de forma aberta, confortável e científica. Nele tentamos dar resposta a algumas questões que resultam do efeito que a insuficiência renal tem sobre a sexualidade e encorajar os insuficientes renais, a sua família, e os profissionais de Saúde a falar abertamente sobre o assunto. Depois de ler este artigo, se tiver questões médicas sobre esta temática, fale com a equipa clínica. Qualquer questão é válida. O QUE É A SEXUALIDADE ? Muitas pessoas pensam que a sexualidade se refere apenas ao ato sexual mas na verdade o conceito de sexualidade inclui muitos fatores, desde o modo como as pessoas se sentem consigo próprias, como comunicam com os outros, a disponibilidade que apresentam para estabelecer uma relação com o outro. COMO É QUE A DOENÇA RENAL AFECTA A MINHA VIDA SEXUAL ? A doença renal pode provocar alterações físicas e emocionais que afectam a sua vida sexual. As alterações químicas que ocorrem no seu corpo afectam as hormonas, a função dos nervos e o nível de energia. Estas alterações geralmente diminuem o seu interesse e/ou a sua capacidade sexual. Muitas dos remédios que se toma para controlar as tensões podem também afectar a sua capacidade sexual. É O ACTO SEXUAL SEGURO PARA O INSUFICIENTE RENAL ? Sim. Os insuficientes renais e os seus parceiros não devem pensar que a atividade sexual pode ser insegura para a saúde em geral, para a saúde da fístula ou para a saúde do rim transplantado. Não há necessidade de qualquer limitação na vida sexual do insuficiente renal. Se a atividade sexual não exerce pressão ou tensão no local da fistula, não há qualquer problema. Depois de receber um transplante é importante esperar até que a cicatriz esteja curada. Desde que o seu médico lhe diga que pode retomar a sua actividade sexual, não há que ter receio em prejudicar o seu rim transplantado. Não tenha medo de perguntar. O receio pode levar as pessoas a evitar a actividade sexual desnecessariamente. Como com todos os tipos de atividade física, os insuficientes renais devem usar o seu bom senso, escutar o corpo, e falar com o seu médico e enfermeira para decidir se a atividade que praticam pode ser de alguma forma prejudicial ou desaconselhada. A Gravidez na Diálise UMA MULHER EM DIÁLISE PODE TER UMA CRIANÇA ? Geralmente a probabilidade é menor na mulher insuficiente renal. Muitas mulheres em diálise não possuem períodos regulares. No entanto o uso da Eritropoietina para tratamento da anemia tem melhorado muitos aspetos da saúde da mulher em diálise, de modo que as probabilidades de engravidar são maiores. Se a gravidez ocorre, existe um risco acrescido de aborto. Só raramente uma mulher em diálise consegue chegar ao fim com a sua gravidez. Devemos compreender que a gravidez é um acontecimento muito exigente para o corpo de uma mulher, mesmo que não-insuficiente renal), e para uma insuficiente renal e a sua criança, a gravidez é uma situação de maior risco. Esta situação pode naturalmente e legitimamente provocar alguma mágoa interior (e no relacionamento), e pode necessitar a ativação de ferramentas de adaptação interior, relacional e psicológica. Estes assuntos (e outros, como a discussão aberta de opções alternativas como seja a adopção) e sentimentos envolvidos podem e devem ser falados abertamente com profissionais de saúde física e mental. É POSSÍVEL UM HOMEM EM DIÁLISE TORNAR-SE PAI ? Sim. Os homens em diálise ou aqueles que têm recebido um transplante podem ter filhos. O casal se tiver feito tentativas durante um ano e não tiver conseguido uma gravidez, deve procurar a ajuda de um profissional. O homem deve fazer um exame de fertilidade. É MAIS FÁCIL UMA MULHER TRANSPLANTADA ENGRAVIDAR QUE UMA MULHER EM DIÁLISE ? Sim. Uma mulher que foi transplantada geralmente tem períodos mais regulares e uma mais estável condição de saúde. Então é mais fácil engravidar e ter uma criança. Contudo, a gravidez não é recomendada no primeiro ano após o transplante, mesmo se a função do rim estiver estável. Em alguns casos a gravidez não é recomendável por causa do risco de vida para a mãe ou por uma possível perda do rim transplantado. PODE A MEDICAÇÃO DA PESSOA TRANSPLANTADA PREJUDICAR A CRIANÇA ? A medicação que se toma para prevenir a rejeição não parece afectar ou causar efeitos negativos na criança. Sendo que a dose da medicação é importante. No período inicial após o transplante a quantidade destes remédios é maior e depois eles vão sendo reduzidos progressivamente. Nesta fase a dose não parece ser prejudicial para a gravidez. Contudo, os efeitos a longo prazo ainda não são conhecidos. A mulher transplantada que está a pensar engravidar deve discutir este problema e qualquer possível risco com o médico. QUE TIPO DE PÍLULA ESTÁ RECOMENDADO PARA O INSUFICIENTE RENAL ? A insuficiente renal em Diálise com períodos menstruais - e que pode portanto engravidar - deve usar uma pílula se pretender evitar a gravidez. O médico pode-lhe recomendar o tipo de pílula a utilizar. Geralmente, as mulheres que apresentam hipertensão arterial não devem usar pílula, uma vez que esta pode elevar a tensão. E as mulheres transplantadas não devem usar aparelhos intra-uterinos (DIU) pois correm maior risco de contrair infecção por estes aparelhos por causa da medicação que usam para prevenir a rejeição do rim transplantado. Ainda outros métodos de contracepção há que podem lhe ser sugeridos pelo seu ginecologista. O DESENVOLVIMENTO SEXUAL DE UMA CRIANÇA É AFECTADO PELA INSUFICIÊNCIA RENAL ? Isto depende da idade da criança na altura em que a insuficiência renal se desenvolveu. As crianças mais jovens com doença renal são geralmente mais pequenas que as outras crianças da sua idade e elas tendencialmente têm também um percurso de desenvolvimento sexual mais lento. Crianças que estão em diálise provavelmente terão também um crescimento e desenvolvimento sexual mais lento que uma criança transplantada. E num adolescente, a doença renal pode provocar um atraso ou mesmo paragem do seu desenvolvimento sexual. Por exemplo, as adolescentes do sexo feminino podem nunca ter períodos menstruais. As alterações devidas a insuficiência renal e o seu tratamento podem levar os adolescentes a sentir-se diferentes dos seus amigos e companheiros. Os pais devem preocupar-se com o crescimento e desenvolvimento sexual do seu filho ou filha com insuficiência renal, e procurando estimular à auto estima, confiança, independência e auto-desenvolvimento - importantes elementos da formação do adolescente a adulto. Os pais devem procurar falar abertamente com a equipa clínica e profissionais especializados sobre estes assuntos e sobre alguma situação que se lhes aparente importante ou preocupante em relação ao seu filho, de forma a receber o aconselhamento necessário. Transplante e Sida HÁ ALGUM RISCO EM CONTRAIR SIDA A PARTIR DE UM TRANSPLANTE, OU DE TRANSMITIR SIDA O PARCEIRO SEXUAL ? Os rins transplantados e transfusões de sangue são por rotina testados para o vírus da SIDA. O risco de contrair SIDA a partir de um transplante ou transfusão é portanto muito pequena. O risco de transmitir o vírus da SIDA ao seu parceiro sexual é muito pequena como consequência do transplante. O teste da SIDA pode ser feito na sua Clínica ou Hospital, e permanece confidencial. Até que se saiba o resultado deste teste, devem ser utilizados meios de segurança aquando de qualquer pratica sexual. PODE O RIM TRANSPLANTADO DE UMA PESSOA DO SEXO OPOSTO AFECTAR A MINHA SEXUALIDADE ? Não. O sexo do dador do rim não tem qualquer influência em qualquer fator relacionado à sexualidade do transplantado. AS PESSOAS TRANSPLANTADAS TÊM MENOS PROBLEMAS SEXUAIS QUE AS PESSOAS EM DIÁLISE ? Em geral, as pessoas transplantadas apresentam menos problemas que aquelas em diálise, pois terão, em princípio, menos problemas físicos que afectam a função sexual como sejam a fadiga e a anemia. No entanto ter um transplante renal não os torna menos susceptíveis a problemas sexuais. A saúde sexual depende de vários fatores como sejam a relação do casal, a idade, o nível stress, a saúde emocional e a condição física do transplantado. PODEM OS PROBLEMAS SEXUAIS PIORAR COM O TEMPO DE DIÁLISE ? Ter insuficiência renal, como qualquer outra doença crónica, tem implicações físicas no corpo. Contudo à medida que o corpo se adapta ao tratamento, o insuficiente renal deve sentir-se melhor física, emocionalmente, e sexualmente. É importante ser paciente e dar tempo para o que o corpo e mente se adaptem à insuficiência renal e ao tratamento. Ser flexível em relação ao conceito da sexualidade e ter uma atitude positiva acerca do próprio e da sexualidade reduz a probabilidade de vir a ter problemas sexuais importantes. O QUE PODEM OS INSUFICIENTES RENAIS FAZER PARA SE AJUDAR A SI PRÓPRIOS ? Tome um papel ativo aprendendo sobre a Insuficiência Renal e sobre o seu tratamento. - Siga uma dieta adequada e as orientações alimentares aconselhadas. - Tome toda a medicação conforme prescrita, e fale ao seu médico sobre qualquer efeito indesejável. - Pergunte e discuta com o seu médico um programa de exercício adequado para si, para o ajudar a aumentar a sua força e capacidade muscular. Ter um maior controle sobre a situação e o tratamento ajuda a sentir-se melhor. A insuficiência renal é mais fácil de aceitar com uma atitude positiva. Leve um estilo de vida saudável. Tenha consciência que outras coisas tais como o álcool e o tabaco também podem influenciar a sua capacidade sexual. Os problemas sexuais são frequentes independentemente da insuficiência renal. Falar sobre este assunto pode por vezes ser desconfortável mas não tem de o ser. É importante discutir com o seu parceiro e com os médicos os seus sentimentos e preocupações. CentroDial

  • Conselhos Para Controlar a Sede

    A sede é um sintoma muito frequente em diálise e é sem dúvida muitas vezes um desafio difícil de ultrapassar. Em contexto da insuficiência renal é uma preocupação bastante comum e pode ter várias causas. São as principais causas: . A Ingestão de Sal Esta ingestão é muitas vezes não intencional visto que muitos produtos alimentares já vêm com muito sal. Deve saber escolhê-los. Existe uma variedade imensa de condimentos e especiarias (e azeite e alho) que pode usar para conferir intensidade de sabor às suas confeções. . Poderá ter que ver com a Glicemia do sangue Neste caso, a sede agrava quando come coisas com demasiados hidratos de carbono ou açucares (doses grandes de arroz, massa, batata, açúcar, bolos, pastelarias) e também é mais incidente em quem tem a diabetes mal controlada. Evite também os alimentos geralmente fabricados/aditivados com muito sal e/ou açúcar : - os sumos de fruta (naturais e não naturais) e os refrigerantes comerciais - batatas fritas de pacote - bolos e pastelarias - bolachas genéricas e pão embalado - charcutarias - molhos comerciais - rebuçados com açúcar - anchovas Deve ter sempre em atenção aos rótulos à lista dos ingredientes dos alimentos que consome pois por vezes pode estar a consumir quantidades de sal e açúcar que desconhecia. . Por vezes a sede pode ser simplesmente Psicológica Seja por estar a ter um dia mais stressante e difícil ou por estar a ter um dia mais tedioso. Nestes casos a solução é mais fácil e basta investir-se em alguma atividade que o distraia. Uma excelente opção é o exercício físico ou uma caminhada ao ar livre. . Secura da Boca Algumas pessoas têm a boca naturalmente mais seca que outras. Esta condição (também designada xerostomia) pode provocar sede pois o cérebro (onde se encontra o centro de comando da sede e da fome) interpreta esse sinal da boca como um indicador de desidratação corporal e vai induzir o corpo a contrariar essa situação através do aumento da sede. Estas pessoas podem recorrer a estratégias simples de humedificar a boca e assim enganar/enviar o sinal contrário ao cérebro. Pode recorrer por exemplo ao saborear coisas ácidas que estimulam a saliva e humedificam a boca. Ex: saborear rodelas de limão ou bochechar um elixir dentrífico (do género Tantrum). . Desidratação Por vezes pode acontecer estar mesmo desidratado e com pouco líquido no corpo. Isto pode acontecer por vários motivos: . porque restringiu demasiado a ingestão de líquidos . porque transpirou muito (a trabalhar, a fazer exercício, etc) . porque perdeu líquidos através de outros mecanismos : diarreia, vómitos, doença com febre . porque aumentou de massa corporal (se tiver engordado recentemente, por exemplo) e o seu peso seco precisa de ser ajustado para que a diálise seja também ajustada Quando se dá este caso, pode apresentar sintomas de: fraqueza, tensão arterial baixa, tonturas, pele seca, cãimbras e, claro, sede. Além da especificidade destes sintomas, uma ferramenta ao nosso dispor para identificar esta causa é a Bio-Impedância, a máquina que avalia as variações da composição corporal. Portanto, Os conselhos da CentroDial que o podem ajudar a reduzir a sede são : Siga a Regra de Polegar : " 0,5L de líquido por dia, mais a quantidade de urina " Encha uma garrafa de vidro com essa quantidade no início do dia e faça a gestão visual ao longo do dia. Não ingira menos que isso. Reduza / elimine a adição de sal da sua alimentação diária Para não comprometer a refeição das outras pessoas cozinhe sempre sem sal para si e deixe a sua família adicionar sal nos respetivos pratos à mesa se assim desejarem. Todos temos necessidades e gostos diferentes e podem perfeitamente ser conciliados. Inspecione os rótulos dos alimentos para confirmar que não contém muito sal e/ou açúcar Se for diabético, mantenha o bom controlo da sua diabetes Mantenha a boca humedecida durante o dia. Recorra ao elixir dentrífico, limão ácido, pedras de gelo, rebuçados sem açúcar e chicletes sem açúcar (o açúcar dá sede!) Distraia-se Como a fome, por vezes a sede é um sintoma de tédio e de aborrecimento, e não é sede orgânica e verdadeira. Vá dar um passeio, pintar, dançar, plantar, cultivar, brincar com os netos, escrever um diário, etc. Vá fazer algo que goste Faça exercício físico diário Ajuda a distrair, e tem efeitos, além de psicológicos, também tem efeitos fisiológicos na regulação cerebral da sede (e da fome). Além disso o exercício físico e transpiração ajudam a minimizar (transpirar) algum do excesso que tenha incorrido em não resistir à sede. Quando beber água, beba água morna. Coma alimentos, não coma "produtos alimentares". Evite os produtos alimentares empacotados, enlatados, processados, comerciais. Estes são por regra aditivados com conservantes à base de sal para que se conservem durante mais tempo. São exemplos os fiambres, presuntos, salsichas, queijos, refrigerantes, bolachas maria, bolachas de água e sal, cereais comerciais, e mesmo o pão embalado. Prefira sempre os alimentos o mais frescos possível e faça várias refeições pequenas ao longo do dia (em oposição a fazer poucas e grandes refeições). Comunique com a equipa Centrodial sobre variações que sinta em casa no que toca a cãimbras, tensões baixas, tonturas, etc. Consulte o/a Nutricionista da clínica para o ajudar a identificar a solução mais específica para si. CentroDial

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