Sobre o Rim
- Centrodial

- 21 de mar. de 2022
- 5 min de leitura
Atualizado: 6 de jun. de 2022

Este artigo explora um pouco mais tecnicamente sobre a anatomia do rim, as suas células (os nefrónios) e as principais funções deste orgão.
O rim é um orgão-par que tem a forma de um feijão e situa-se na cavidade abdominal no espaço retro-peritoneal, um de cada lado da coluna vertebral.
Se fizermos um corte longitudinal do rim (ver imagem em baixo), verificamos que ele está dividido em 2 faces distintas:
Uma mais periférica - a zona cortical ou cortex renal,
. O cortex renal é constituido pelos glomérulos (novelos de vasos capilares), e pelos túbulos renais.
Outra mais ao centro - a zona medular,
. A zona medular é constituida pelas pirâmides de Malpighi cujos vértices se dirigem para uma zona do bordo interno do rim chamado hilo. No hilo do rim entram a artéria renal que é um ramo da artéria aorta abdominal e nervos. Do rim saem a veia renal, os linfáticos e o ureter.
Ao conjunto dos túbulos renais e dos glomérulos dá-se o nome de Nefrónios, que são as unidades anatómicas e funcionais do rim.
Em cada rim existem cerca de um milhão de nefrónios e em geral os homens possuem mais nefrónios que as mulheres.

Constituição do Nefrónio
Cada nefrónio é constituido por:
- Glomérulo e cápsula de Bowman
- Tubo proximal
- Ansa de henle (tubo em u)
- Tubo distal
- Tubo colector
. A cápsula de Bowman e os tubos proximal e distal, situam-se no cortex renal.
. A ansa de Henle, e os tubos colectores, encontram-se na zona medular do rim.
A formação da urina inicia-se no glomérulo, penetra nos tubos contornados, e daí segue para os tubos colectores, finalmente exteriorizando do rim através da pelvis renal e ureteres.
Estes últimos encontram-se já fora do rim e conduzem a urina até à bexiga, o orgão que serve de reservatório de urina.
A bexiga retém a urina e durante as micções lança-a para o exterior através da uretra.
Principais Funções do Rim
- Homeostasia do ambiente metabólico interno
- Controle do volume de fluídos
- Regulação dos electólitos
- Equilibrio ácido - base
- Excreção de resíduos metabólicos, toxinas e medicamentos
- Regulação dos Processos Fisiológicos
- Regulação da TA
- Estimular a produção de Glóbulos Vermelhos
- Regulação do metabolismo fosfo - cálcio.

1. Controle do Volume de Fluidos
Temos então que o plasma sanguíneo é filtrado no glomérulo - resultando deste processo urina primitiva.
O volume do filtrado glomerular é de 180 litros/dia aproximadamente, mas deste 99% é reabsorvido ao longo dos túbulos renais. A membrana glomerular é semi-permeável, deixando passar apenas as moléculas muito pequenas.
Enquanto que a água, os sais minerais, a ureia, a creatinina, o ácido úrico e a glicose são filtrados facilmente, as grandes moléculas como as proteínas e elementos maiores do sangue (eritrocitos, leucócitos, etc.) são retidos no lúmen capilar.
O ultrafiltrado (ou seja, a urina primitiva), apresenta uma composição muito semelhante à do plasma exceto no que toca às proteínas. Porém nós sabemos que a composição da urina finalizada é totalmente diferente da do plasma (concentração mais elevada, maior acidez, ausência de glicose, bicarbonato, etc). Compreende-se que ao longo dos tubos do nefrónio há lugar a profundas alterações do ultrafiltrado.
- No tubo proximal existe intensa reabsorção ativa de sódio, que vai arrastar água reduzindo em 80% o volume do filtrado. Esta reabsorção de sódio e água arrasta consigo outras substâncias como o potássio, glicose, bicarbonato, etc.
- A ureia, o ácido úrico e o cálcio são reabsorvidos parcialmente; e também há excreção de hidrogénio sob a forma iónica, responsável pela acidez do filtrado.
- O ultra-filtrado modificado no tubo proximal continua o seu trajecto, ao longo do ramo descendente da Ansa ou Alça de Henle, agora reduzido em 20% de volume, e ao atingir o ramo ascendente sofre nova reabsorção activa de sódio. Este passa em grande quantidade para o interstício medular, não sendo acompanhado por movimento idêntico de água, já que a parede da Ansa de Henle ascendente é impermeável à água.
Daqui resulta um empobrecimento de sódio no filtrado, e uma enorme concentração do interstício medular.
Ao chegar ao tubo contornado distal o filtrado já muito pobre em sódio vai-se tornar ainda mais pobre porque a hormona do cortex da supra-renal - a Aldosterona - vai promover a sua reabsorção por permuta com o potássio. Ao chegar ao tubo contornado distal a urina primitiva é muito pobre em sódio e muito reduzida em volume.
2. Equilíbrio dos Electrólitos
Os electrólitos são reabsorvidos no tubo proximal com objetivo de impedir a depleção destas substâncias no corpo.
Este equilíbrio de electrólitos, é feita por mecanismos passivos e activos.
O movimento passivo, ocorre através do gradiente de concentração, ou seja os electrólitos deslocam-se de uma área de maior concentração para uma de menor concentração. Enquanto o mecanismo activo de transporte de electrólitos é feito através de mecanismos de transporte de iões, com gasto de energia, e pode por isso deslocar electrólitos sem ter em consideração os gradientes de concentração.

3. Equilíbrio Ácido - Base
O organismo serve-se de dois importantes mecanismos para a manutenção do equilíbrio ácido-base.
O respiratório e o renal.
Nos pulmões eliminámos dióxido de carbono (CO2) que resultou do desdobramento de ácido carbónico em CO2 e água (H2CO3 -> CO2+H2O).
Ao rim cabe-lhe a função de reabsorver e regenerar bicarbonato e ao mesmo tempo eliminar substâncias ácidas. Estes processos ocorrem nos túbulos proximal e distal do nefrónio.
4. Excreção de Resíduos Metabólicos
Como vimos, uma importantíssima função dos rins é a excreção dos resíduos metabólicos do sangue, que são excretados no filtrado glomerular sendo alguns reabsorvidos durante a passagem através do nefrónio.
5. Regulação das TA - Tensões Arteriais
O rim desempenha um papel ativo na regulação da pressão sanguínea, através dos mecanismos:
- Regulação do volume do plasma, através da reabsorção directa de sódio e água, para manter o volume do plasma.
- Hormona aldosterona, que estimula a reabsorção de sódio do tubo distal em permute com o potássio.
- Sistema renina -> Angiotensina II -> aldosterona
A renina lançada na corrente sanguínea promove a transformação de uma globulina hepática (o angiotensinogénio) em angiotensina I. Esta por ação de uma enzima de conversão (ECA), passa a angiotensina II, que é um hipertensor potentíssimo (essencial ao bom funcionamento do corpo em determinados momentos). Ao mesmo tempo esta Angiotensina II estimula o cortex da Supra-renal a libertar Aldosterona, a qual promove a reabsorção de sódio e água pelo rim, aumentando o volume de plasma e também a tensão arterial.
Assim a renina, através da Angiotensina e da Aldosterona aumenta a TA.
6. Prostaglandinas
Sintetizadas no rim, possuem um papel muito importante na regulação da TA e nos processos inflamatórios.
7. Eritropoiese
O rim controla a produção de Glóbulos Vermelhos (GV) através da ação da sua hormona Eritropoietina, que estimula a medula óssea a produzir GV e prolonga a existência dos GV produzidos. A eritropoietina é produzida pelas células dos túbulos renais. A este processo dá-se o nome de eritropoiese.
8. Regulação do Metabolismo Fosfo - Cálcio
A vitamina D é transformada na pele pela acção dos raios ultra-violetas, em vitamina D3.
Esta é hidroxilada no fígado por ação de enzimas de conversão, passando 25-hidroxi-Vitamina D3 (25-OH-D3), e esta por sua vez é transformada no rim em 1-25(OH)2-D3 - a forma final e ativa da vitamina.
A Vitamina D promove a absorção de cálcio e fósforo no intestino, inibe a libertação de paratormona e facilita a mineralização do osso e o crescimento. Por exemplo as crianças quando deficientes em Vitamina D ficam com o chamado raquitismo (pernas exageradamente arqueadas).
Acontece que o último passo na transformação da vitamina D na forma ativa no rim ocorre pela ação da 1-25 hidroxilase, uma enzima que é regulada pela acção da paratormona (ou PTH - hormona sintetizada nas glândulas paratiróides) e pelas concentrações de fósforo e cálcio no sangue. Daí ser necessário monitorizar as análises de sangue de todos estes interligados componentes por forma a compreender se estão ou não balanceados.

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